1926. Cortar a arte

foi quando estas letras se juntaram
dando cor ao entrelinhas branco
que eu pude rever onde estavam as palavras
submersas por detrás das páginas
era só se calar e lá as estavam
umas grandes, outras foneticamente aprazíveis
mais ainda haviam aquelas que
não queriam ser ditas
pois, carregadas de sentimento,
ou, mesmo de além de si mesmas,
ficam na penumbra do surgir

é posto que se precisa tatear as margens
para achá-las e esforço ainda é o de se saber
onde colocá-las ou porque ou para quem
mas sempre se acha um modo qualquer
modo vário, vagabundo, versado que seja,
mas válido

uma palavra que seja
somada a outra e mais outra
definitivamente,
sempre põem mesa
de fato a frase me pegou
vou cortar a arte
e fatiá-la miudinho, miudinho
até que eu possa espalhá-la toda
por tudo o que for possível

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