2587. Contos do super-capitalismo tardio III (ou estocando a Alta Modernidade)

no meio do Socó Dance House Club
partindo o coração na pista de dança
com o batidão sonoro da Banda Deja-vu e DJ Juninho Portugal “É Show”
eis que chega a moça de um metro e meio de pura volúpia:

– dança?

– talvez

– então arrocha

– sempre

em meio à turba dos ausentes ali todos presentes
com o caos instaurado no peito
ébrio de Jurema
torto de luzes e Odete com guaraná
mareado de sertão
danço a volúpia de todos os companheiros brindando ao sucesso do sexo,
teso como o sol do meio-dia

– cê ta me estocando!

me afasto,
ela me arrocha:

– vamo ali pra fora, procê me estocá melhó?

fortuito e desapegado
os ares de um não-amor consumado
o gosto ímpar de fazer pela não desfeita
e ficar ali pela noite, versado na arte de quebrar telhas

5 comentários em “2587. Contos do super-capitalismo tardio III (ou estocando a Alta Modernidade)

  1. Lembrei de quando vc me contou essa história…vc tinha razão, “estoca” faz mesmo toda a diferença no enredo…
    mas poesificada a história me pareceu ainda mais (in)crível…por isso gosto da poesia: caminho por elas mais crédula que entre as estradas reais!

  2. Tenso.
    Prende da primeira até a ultima palavra.
    Adorei reencontrar os teus versos por aí.

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