3047. Flâneurs

Me liga amor e me convida a andar pela urbe
só para termos impressões.
Só para abdicarmos da exatidão das horas
e vivermos horas que sejam
no infinito do mundo sem relógios.

Ali, naquela esquina, cresce um prédio amor.
Vamos nos deleitar no sem compromisso
de passar os olhos pela vastidão dos andares
murmurando pragas contra o loteamento dos céus.

Amor, me chama para fazer nada e ficar gastando,
deitados debaixo de uma mangueira
até querer levantar e ir olhar a velocidade.

Me invita a sentar na areia
de frente ao mar
de costa aos morros
e rodeados de brisa, bruma, vento e nós.
O mar no ar dançando as cordas dos seus cabelos
e ouriçando meus pelos.
A gente sentindo o tempo
até querer sentir a água nos pés.

Meu bem, a vida vem – invariável –,
mas mesmo assim variemos a missa,
voltemos a olhar para a história só pelo prazer:
você de saia e chapéu cloche
eu de fraque e cartola
num pique-nique à beira da lagoa,
imersos na contemplação de qualquer coisa…

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3047. Flâneurs

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