3158. Das artes da invisibilidade

as persianas balançavam sem cadência
uma brevidade da rua assolava o recinto
talvez fosse ar isso o que eu sinto
possível feito de vento e insistência

o descompromisso dos vazios de fora
irrompia vazando vendavais aqui dentro
invisível como sempre em meu centro
veio que sinto: calmo tornado adorna

as folhas dançantes em impaciência
tomavam o que me circulava por hora
sem textura, cor, matéria ou ciência

decompunha-me ares e movimentos agora
não me vendo, tendo, sendo insuficiência
insuflava-me ser de vento onde o eu mora

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3158. Das artes da invisibilidade

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