3338. Mosaicos

Acordo no fim do buraco. Muitos braços, um pedaço de pescoço, uma mão com seu smartphone, um sovaco mais a esquerda, meia careca à frente, cachos adentrado as narinas, um smartphone que sorri, mosaicos em flashes e piscadas, abaixo, pedaços de corpos, pernas, pés, celular, uma nesga da janela: o horizonte, a linha que separa o Orun do Aiyê, monótona e cambiante, no trote dos trilhos, o chumbo das nuvens se permitindo ao calor dos dias passados. Mosaicos. A nesga da janela: a linha de transmissão, as ondas que se esparramam, as conexões que adentram. O suor que arde a vista. Só um olho para ver. As lentes, a armação, depois, mosaicos. A nesga da janela: trovão, um pedaço do dossel, o concreto se arma, a abóboda se arma. Um peito se lança para fora, atravessa o vagão, a nesga, o vidro, a vida, se arma. Braços apressados, sovacos cambiantes, cabeças trôpegas, ríspidas, reviravolta, a porta se abre. Entram e saem, celulares, conexões, smarts, phones, fones de ouvido, murmúrio de manada, batidão do funk, ostentação. Um bigode. Meio sorriso. A cauda de um dragão, meio sovaco. Mosaicos malabares. Tudo para. Um peito explode. Tudo explode, suor, inquietação, mosaicos bêbados. Cada porção se desalinha, guarda-chuva e chapéu, uma boca que gargalha. Ódio escorre pelo olho direito à esquerda do chapéu, um solavanco, um susto, um surto, um piercing no septo, um sexo. Mosaicos sem nexo. Movimento, lento, tudo se recompõe, a luz abafada, a quentura desregrada, nada agrada, um túnel, soturno, melancolia do crepúsculo, uma boca que berra Jesus. Conexões, conexões, conexões, conexões, conexões, conexões, tudo se acalma, velocidade, conexões, conexões, entra, sai, conexões, conexões, conexões, tudo se aplaca, conexões, conexões, tudo se arma, conexões, conexões, entra, sai, braços, pernas, penas, dores, humores, amores, aromas, amoras, flores. Mosaico espiritual. A nesga da janela: o breu do concreto, do ferro. A nesga da janela: luzes, lerdas, loucas, lépidas, nos prédios de lego. Pálpebras que pesam. Conexões, conexões, conexões. O breu avermelhado dos olhos cerrados. Acordo três estações depois.

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