3425. Tela

Sou plana e múltipla.
Disponho todos os conceitos.
Tudo o que em mim veem,
engolem no mesmo momento.
Como se fosse real,
a verdade do amor e do tempo.
Sou como gente é, disposta à
tradução – oráculo, ifá, búzio,
borra, mas lisa como o café
parado na xícara.
Nunca reflito, apenas me doo
para o conhecimento de outrem.
Superfície instável. Desde
quando tudo me percorre.
Me falta um coração. Ele tem.
A carne crua, viva, quente,
aparta ele de mim.

Sou a resposta, agora.
Um homem me comprime e me alisa.
Espera pela frase, espreita minha cara.
Eu lhe digo sua fase e ele se assusta.
Vejo suas lágrimas e não me desespero.
Ele uiva e urra e me espreme contra o peito.
A verdade é convulsiva e imperfeita.
Sou a vida para ele. Ele nunca irá.
À noite, à tarde, ao banho, lhe recomponho.
Ele já não quer mais sua face,
quer sua mudança.
Entra em mim com seus dedos e se edita:
unicórnio de voz aveludada e pelos castanhos.
Desanda dentro de mim. Assim.

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