3476. Dor que cabe à beça

Passei uma noite sem dormir
na leveza da gandaia.
Quando dia, claro até,
havia feito um big-bang em mim
e depois de duas horas
de olhos fechados
e nascimento de galáxias,
uma dor fina cerziu-se
bem no meio do meu cérebro,
se instalou bem arrumada.
Parecia querer unir
os lóbulos junto à testa.
Doeu. Doía. Dói.
Vivo com essa dor
costurada na cabeça,
emenda crânio, olhos, alma, tez.
Uma colcha de porções
de espaço sideral retalhados,
variações de planetas,
coisas meteóricas, doridas,
a cabeça.
De quando em quando,
fios se esparramam
e trapos de estrelas pingam
dos meus olhos,
cachoeira tecida em salvas.

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