3495. Menino da biqueira

Todo rolê que eu dava nas quebrada do Nascente
Lupa baixa eu já fitava um lekinho só no pente
Bem no meio da biqueira ele vinha indiferente:
“Tem de cinco, tem de vinte, pro freguês ficar contente”

Quando os rato então passava e a bura ia seguindo
Eu comprava um baseado e ele saía sorrindo:
“Valeu mano maloqueiro, tamo junto, ino e vino”
Por aquelas quebra loka minha lombra conduzindo

Nessas viela cabulosa várias treta já ralei
Mas nenhuma foi mais escrota do que essa que trombei
Num corre ali por perto, num sentimento eu parei
Subi pra biqueira vazia, o leke eu não topei

Desci da minha magrela e numa vala no lixão
Vi uma tia orando, perguntei de qual era então
“Maloqueiro, que desgraça, veja o corpo no valão
Quem matou o meu filhinho foi um milico, sem perdão”

Lá nas tantas de Águas Lindas, levando uma aparelhagem
Avistei o tal meganha, passei fogo no covarde
Hoje vivo só na fuga, os pé-de-bota na vontade
E daquele leke ligeiro, quando pá tenho saudade

O corpinho no valão a mente não deleta mais
Mas eu fiz uma promessa de justiça, liberdade e paz
Nem que eu tombe e das grade fique atrás
Nessa biqueira bandida, gambé se entra, não sai

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