3743. recriação de mar

quando me foi dada a missão
depois de tudo volvido ao ventre mãe

quando me inteiraram da função
que o malogro do distanciamento vagou

tinha por certo de novo separar
o que dentro da esfera girava misturado
só ventre e poeira

mãe já não havia também
só secura
era pó e quentura
pingo de estrela crua

e eu não tinha mais cabeça
ninguém quis
tinha pé e mão e tronco

e fui fazer então ela
que mar de novo tinha de vir
e tinha de ser feminina

separei cada pedaço de água que tinha
e salguei com sangue do peito
que é o mais salgado

era toda água muito miúda
e sem cabeça ficava mais difícil de separar

fui pelo tato
que água a gente sente jorrada
pelo toco dos dedos

o pó todo eu soprei e voltou estrela
a água eu amaciei doçura
ternamente e envolvi ela mesma
gota a gota
com sal de sangue de peito vivo

fiz redoma de água salgada
e veios de água doce atravessando
gota única dentro do céu
girando o sol

recompus só a mar
e me desmembrei larvas dentro dela

cada pedaço uma família de peixes
irmãs e filhas e mães

sem barro.

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