3849. Do solo

Era o vasto
a imensidão

Um demônio separava porções
um espírito guardava limites
um tabu dava o contorno

Até o rio da água vermelha,
o conhecido

Além da pedra do irmão perdido,
o temor

Depois da curva do horizonte em mar,
a queda

Os passos apinhados da experiência
como a ancestralidade de saber a terra
conhecendo o que se compartilhava pelos pés

Ouvia-se com atenção as palavras
das superfícies
que contavam caminhos, sendas, passagens
e das cabeças, as cabaças da memória,
que falavam dos voos
dos barcos
das entranhas calcárias

E havia um respeito pactuado
donde a guerra só aflorava
dado o alinhamento dos planetas

Em alguma beira da história
isso tudo se perdeu ou foi engolido

E do medo, o poder sem limites
brotou como muralhas, limitando

E de pedras sobrepondo pedras
pátrias nasceram
acima do sangue que corria

pelo vasto
pela imensidão

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3849. Do solo

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