3823. idiota

os lentos verões as noites de frio
todo o contorno percorrido pelas mãos
as manhãs solitárias
eternas

não as de agora nem as de ontem nem as de antes
as minhas manhãs

o super-mercado a fila o chuchu
minha voz sendo ouvida pelo vento

uma animalidade bestial desejante
o não
e o sono
uma passionalidade amante
o sonho

construí grades de mentiras
frágeis como bolhas de sabão
construí grades de bolhas de sabão

os anos aconteceram juntos ao amor
e minha sinceridade crepuscular
só me permitiu ser amável
mas amor só acontecerá na noite

eterna

minha inteligibilidade beira o caos
mas o caos não ama não deseja

talvez eu seja um monstro

me lembro dos detalhes
eles não sairão da cabeça
só se ofuscarão com o crepúsculo

depois das miragens há de vir uma manhã
eu irei a super-mercados filas chuchu
o amor explodirá e eu virarei objetos
com histórias ouvidas pelo vento

na crepusculante manhã de amanhã
eterna solitária
grades de bolhas de terra
onde não mais acontecerei

não sou um monstro só um idiota

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3823. idiota

2 comentários sobre “3823. idiota

  1. Acho lindo quando alguém se identifica com o que escrevo, obrigado por falar. Esteja à vontade nesse emaranhado de palavras ;)

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