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eu te quis, como se diz, com todo o ardor
você olhou o buraco do meu assoalho
falou “põe um tapetinho, fica mara”
e me ardeu por meses a fio
eu vi o brilho nos olhos em todos os olhos
o brio
a flama
a flâmula
a chama
encharcada

havia um horizonte azimute estelar
jorro de estrelas pelas beiras
cópula constelar helicoidal no entremeio da galáxia
havia uma doçura dourada persa
camafeu de marian protetura

os séquitos entrelaçados
esbanjavam o alarido hálito árido
compensando a chuva desabrida

lírios bojudos ressuscitavam
o que nada suscitava; a música do ar

e eu te quis, como se diz, como a planta suga
o néctar do sol
fotossintético e fotoanalítico
fótons teus, tons de cor de cachos de cabeça

um pouco mais dos andares da lua
um tanto menos que o percurso do sol

até que o desabrido do começo do céu
da minha cabeça vomitou o urro do breu
e uma brecha para fora de tudo se vomitou em mim
epítome do desaprendido eterno da vida

eu te

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