4108.

A fagulha só pega
quando há corpo a queimar
e calor pro ar passar
feito rastro de meteoro no peito

Todo fogo queima
de doer e até entender
tatuagem-queimadura
a estampar lições

A primeira passagem
é a das notas contidas
nos sinais de fumaça
no toque de tambores:
há que se saber os códigos
para decifrar epigramas de amor

Os sinais tem de ser claros
mesmo na escuridão:
por quais ruas deambulam
danças ou fugas
que farão o próximo passo

Do fogo a luz
que cadeia no céu
se faz sombras e lê-las
dá o enredo

Há encruzilhadas
que deságuam em todo o futuro
E o corpo sente

Amar-se as dores,
outra conta para as pagas da vida
E as lições do fogo continuam
ainda que em barco naufragado
mar livre do peso de se sustentar
a liberdade de ser os próprios sinais

Respira

Descobre o que assombra
Ali nos corais há habitação infinita
E nenhuma regra há de impor
quantas casas se erguerão no fundo abissal

Despede do que te veste de incerteza
fique nua, do avesso ao verso

Escuta o canto:
melodia pura de sensação ébria
um tritão ergue a voz
e chama,
no mar há fogo

Não respira, pira

Se despedaça em cada parte que alcançar
e se recompõe, regenera

de prazer

dê-se

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