mil é fácil pra você
que na cabeça não tem nada
mas o doido é que
que eu saiba
sua bolsa é furada
mil tem não
nem razão nem porquê
nem o que se saiba
Categoria: Poesia
2038.
meus olhos morreram para você
eu vejo
mas não você
anseio que morra
para minha vista sobreviver
2039.
estou cagando pra você
uma bosta fedida
que no esgoto
vai te florescer
2037.
não há interlocução
não há a mínima condição
o que eu falo
ninguém
houve, senão
o que lhe der mais razão
2036. À beira do sangue no olho
sempre em estado de tensão
sem pretensão de que não exista
um buraco no estômago
um furo na traquéia
uma fuligem no pulmão
um ódio contra as harpas
uma cabeça em caspas
2035. Angústia
talvez essa cara de nada vá me ser em completo
até que eu chegue a 1/3 de século
e depois dela venha aquela cara de nada com ar de cansado
até que depois dela só venha aquele ar de nada
de quem nada fez e nada vai fazer
e o nada passará a soar como meu sorriso e a minha dor
2033. Só
como uma palavra de duas letras
que carrega em si o desígnio
de uma condição
como se o mundo falasse a língua
da verdade
e nada mais restasse para se dizer
a não ser o que falta na certeza
como nada no mundo passa além
tanto quanto uma ilusão de companhia
tão sutil que se vê de longe
uma breve mudança de rumo numa brisa
aquela centelha que durou uma fração de segundo
ser apenas como a insignificância
não estar estando
ser mesmo não sendo
como o alvoroço do trânsito às 13:30
como o chacoalhar da britadeira incessante
como uma sombra ao meio dia
é estar no mundo e só se ter
2034.
é fato o fim
sem papo sim
só cacos de mim
2032.
Eu ainda tenho a flor pra te dar
Aproveita enquanto ela ainda é uma flor
Depois só restam vermes e bactérias
2031.
O que agride é esse sorriso
Esse suplício na boca
Que lá dentro oca
Me obriga a ser aflito
2030.
claro que são eles
que computam
que conectam
que controlam
claro que são arte
claro que a fazem
como fazem a si
e arte
“artistas fazem dinheiro”
2028.
Agora bolo
Como bolo e rebolo
Enrolo
Colo
E bolo
Depois, bolo…
2029.
nunca morta
a pala leva a mente
palavreia livre a mente
palas, veias lavam mentes
pululando sangue quente
paralisando um instante,
a palavra pára.
parágrafo
ou página
2026. Música II
tonteia
o tom
tateia
a têmpora
2027. Música III
Há algo no som
Que leva a fumaça
Deve ser um frisson
Timbre e fogo em graça
2024. Lançar
Percorro o ar
tão mesmo
como um
grito de socorro
por toda a goela
por toda a garganta
por todo o ar
a procurar
um lar que seja
mesmo um quasar
tão como um
ser que abarque
e salve e seja
De ir assim
percolando aí, aqui e lá
eu sigo
a me lançar
2025.
Juntar qualquer
como na trama
Ela vem e diz:
fiz
Feito, ele diz:
trato
Fato, eles fazem:
fardo
2022. postética III
as imagens são modos,
particularidades de cada
que existe.
além do modo são modas,
partículas que quase
existem.
a forma diz,
a moldura fala:
um pente essencialmente,
o detalhe é o conjunto
que informa tanto
quanto o livro pendurado
debaixo do braço
2023. Atirar
Um rumo tido
entre o meio da mira
dentro de zero graus
vai tangente
pungente até ter
no alvo visto
o objetivo
2021. Interpretando lundus
o inter-texto
dentro do texto
discorre
sobre a correria
de se equilibrar
na trilha
2020. Involuntariamente
Em volta,
a otária mente
Ela ia relutante,
ria a mente
Quase reluzente
ainda renitente
ia ela, a mente,
por si
só o que sente
2018. Mais
é medíocre
o tom carregado com
um caqui ocre
2019. Aqui
não se apegue assim
dentro cabe no centro
o que há em mim
2016. Pára
mas por que se ater
em pensar no que falar
quando basta ter
2017. Além
qual folha voa
toda voz chega em nós
um sopro a toa
2014. Ego
a nuvem interna é
feita de teia
de alma aranha que é
2015. Superego
a trama externa é
seita maleita
complô de razão e fé
2012. Surdo
há dias em que tudo
dado ao fado
resta só num som mudo
2013. Complexo
passava naquela ali
como tão logo
nada passa por aqui
2011.
Quando se parte
se parte o mundo
em antes
e depois
2008. Flor II
sempre que eu me lembro
daquele seu sonho
recheado de baunilha
lembro que o recheio
começa na realidade
de uma orquídea
2009. postética I
2007. Vendo letras
de todos os tipos
parabólicas
camaradas
hits de verão
eternizadas
num refrão
em qualquer lugar
eu as vejo
2005. Poema matemático V
Angular
o
Singular
ao
Plural
do
Infinito
2006. Poema matemático VI
asdurenas
apriaição
casemar
ésfremoução
2004. Poema matemático IV
Poema matemático
Poema temático
Poemamático
Poemático
Poético
Poco
2003. Poema matemático III
Segunda a mente
se aguda em ente
singular mente.
2002. Poema matemático II
Primeiro
Prêmio
Primo
Pro
Plural
Paralelo
Para além do elo
2001. Poema matemático I
se nem um googol
elevado à centésima potência
pode chegar ao infinito
meio que é isto
eu googol ao googol
me engasgo com um
infinito travado na
garganta
1999. Ao meio-dia
As horas como foice
rasgam o dia em duas bandas
Uma que se traveste de esperança
Uma em que se espera a esperança
A luz avança
A falta se alcança
Ao meio-dia o mundo dança
Como se fosse mesmo metade
2000. Delete
Eu sei que aflito
ainda tenta o peito
amigo amante
à mente minguante
Vai cadente
candeia caliente
ciente da gente
que ainda é
Sei que fito
ruindo em frente
de fronte ao combate
queda ao embate
em fé
Ruído passivo
espera diletante
dilata a mente
até que deletéria
a mente
dispõe-se ao fim
1997. Réptil quase leoa
Tinha algo como escamas
que talhava o colchão
das camas
Mas tinha uma juba
e garras e presas
e pressa
e aquela moleza de dormir sempre
Mesmo lenta em seu casco
que também havia nela
tinha sempre pressa
E quando via sua presa
fazia-se de tartaruga de aquário
roçava como gata no cio
e depois devorava o otário
Feia como só ela
Feia e híbrida
Como uma leoa
meio hidra
Feia como bela
1998. Sempre
Eu paro
por onde passo
par-e-passo
alinhado
Eu par
perpendicular
abaixo
com minha sombra
Eu parto
para lá
com meu par
cá
sempre ao lado
ou abaixo
1994. Na continuidade da proto experimenta a ação pseuda
Por que ocupamos
o desejo de defender
a dureza atacada
se do alto do que dói
só nos resta a contemplação
de desejar que tudo se ocupe
devidamente
áspero que seja
na certa
1995. Guilherme Teixeira Ferreira de Carvalho Lopes da Silva
Nem se todos houvesse
Caberia explicação tanta
para confusão tamanha
do que se passa cá
na indefinição de nome habitável
que pauta a lusa órbita
das vistas pronta: um nome ainda espera
1996. Sim
Descrevo
para descrer
Vou desvendando
o que se vê
Desviando
o ego de se dizer
coisa como
se o dito escrito
fosse o olho
que tudo vê
Descrevo sim
despudoradamente
voyeur
colando cada visão
com a discrepância
de uma palavra
que para além
é um som
1992. Estranho estilo pós-venusiano de Marte
é esse escândalo
esse vermelho
de flor de sândalo
um chão
como saibro
como se sabe
talvez ouve água
mas só solo
vermelho se sonda
1993.
eu quis
não saber
mas saquei
da arma
do cérebro
1990. Siemenscos
somos só
ciborgues
semeando
centelhas
de solidão
por celulares
simbióticos
1991. Insone
Se dormir bastasse
Só, dormia bastante
Mas
Só dor me busca
Como
Sodomia por uma basculante