a androgenia de uma
super mulher passa
a poucos metros
meus ombros sentem uma
indiferença tal
que eu noto que meu
pró-feminismo me ajudou
a me livrar desse
papo metrosssexual
Meu nome é Guilherme, poeta , professor de geografia da Secretaria de Educação-DF e mestre em geografia (UnB). Tive AVC em maio de 2020 (isquêmico) não consigo falar ainda. Tenho apraxia e afasia. Apraxia é um distúrbio neurológico motor da fala, resultante de um deficit na consistência e precisão dos movimentos necessários à fala. Afasia é uma alteração na linguagem causada por lesão neurológica.
a androgenia de uma
super mulher passa
a poucos metros
meus ombros sentem uma
indiferença tal
que eu noto que meu
pró-feminismo me ajudou
a me livrar desse
papo metrosssexual
Bom é o que não é visto
o que não se apercebe
logo de cara.
Belo é o guardado a
sete chaves bem dentro,
escondido, visível só
com as pontas dos dedos
da alma.
O melhor é o avesso
do que é visto.
tem vezes que uma
manhã nasce morte
o dia parece que
não vai se sustentar
aí vem um riso
inocente, uma questão
sul-real e parece
que o sentido surge
Poeta?
Eu não…
sou apenas um cronista metafórico
de sentimentos, sensações, fatos e imagens.
Eu que tantas
vezes o escutei
não sabia que
o segredo da
vida podia vir
assim tão fácil,
em meio ao
sexto copo de
cerveja num
boteco pé-sujo
escutando Raul.
Acordou bem
no horário
disposto
fez seu alongamento
correu trinta e cinco minutos
comeu seu desjejum
tomou seu banho
escovou seus dentes
chegou em ponto no trabalho
ligou pra namorada
disse que a amava
(e a amava)
marcou no almoço
saiu na hora
almoçou com sua linda
voltou no horário
trabalhou com eficiência
cometeu um lapso ao
final do dia: saiu 10 minutos
adiantado: tinha de pegar
sua fofa para ir ao cinema
assistiram num shopping
deixou-a em casa
foi-se para a sua
ligou quando chegou:
“te amo”
(e a amava realmente)
tirou suas roupas
guardou-as no cesto
arrumou as da manhã seguinte
tomou um copo de leite
escovou seus dentes
dormiu
não há de se maldizer nada
mas e a vida, para onde foi?
Um beijo, um ato
algo findo e outro
começado. Principiado
já no fim, findado
em seu início
o poder do estalar
de lábios…
Achar nesse momento
esse tom do céu
em palavras.
É aí que eu vejo a
realidade do impossível
Olhar para os lados sem ter motivo
Virar um estado de contemplação
Querer nada mais que o nada
Amar tudo, todos e ninguém
Ser triste sem medo
Ser feliz quando há tempo
Ouvir blues às 3:00 da manhã
Sonhar com sua ex-namorada
Admirar a beleza daquele rapaz
Passar o dia sem comer
Comer tudo o que ver pela frente
Encher a cara com qualquer um
Acender um cigarro após seis anos
Voltar sozinho pra casa
Dormir com qualquer um
Ter dinheiro no bolso
Perder um pouco de si
Ficar consigo e se bastar
Mesmo que seja outra prisão
Há esse fogo, e uma
vontade de jogar
o celular nele que
parece incontrolável.
Mas no fim das
contas, hei de me
controlar e dar
boas risadas disso
tudo…
Alto Paraíso, GO.
Eu grito agora o
que nem sei se escrevo,
é algo que sai entre
o risco ao papel e
a certeza de que algo
há de ser dito, e digo.
Embora a um olhar
atento nem pareça
ser qualquer coisa.
Talvez sejam essas
notas tão rápidas
que inibem o que
quer dizer minha
alma, mas o choro
ao som comove
meus sentidos a
serem mais que
palavras estas aqui:
dou-te a liberdade.
Alto Paraíso, GO.
Prefiro o vazio ao lado
do que a sensação
medíocre do ciúme.
Alto Paraíso, GO.
O que surge é só o que
se tem: uma légua de
nada às costas , outro
tanto de nada ao lado
e mais um punhado de
nada aos pés.
Isso tudo não representa
nada, a não ser essa
lentidão.
Alto Paraíso, GO.
O passo não acompanha
o que se passa nas mãos
virtuosas do descompasso.
Piazzola é só mais um
em meio ao que não sabe
nem o que fazer com a
viola em punhos.
Trágico, como o tango
ele faz assim…
Alto Paraíso, GO.
Essa agora, antes,
só pra ver como
se faz depois
Queria ter visto
tua cara após
o poema, deve
ter ficado com
ares de quem o
pega, tira o
presente o põe
na primeira
gaveta que vier
pela frente, e
isso era pra ser
o antes, mas acaba
sendo o que
imagino depois.
Contigo, fui até homem,
paguei conta e até te
chamei de minha nega
Só te peço que não negues,
pois se não desanda
tudo e eu enterneço
Amei-te com ares de amor
penetrei-te uma condição
tão pura e bela, invadindo
tua opção.
Fui tua escolha e teu paraíso,
fui tua perdição.
E hoje sou só conjugações
de verbos no passado:
minha decisão.
The same way all day
and I don’t no your
name. I think that
your name is the
same that the sky.
A paz ia
e
apazigua
é nessas horas em que o
sol já morre e renasce
no outro hemisfério
que brota a profunda
contemplação de que o
amor não começa ou
acaba assim, de repente,
ele é esse que de
diversos modos se faz (e desfaz)
surfava por entre os carros
deslizava no encontro da borracha
com o asfalto. fazia um barulho
imenso, devido ao rolamento
falho. pigarreava os excessos
da noite finda.
o corpo cansado, a canela
esfolada do último tombo.
pensava em nada,
vivia um grande nada
e por isso era feliz. no dia
em que cresceu e tirou a
barba e penteou os cabelos,
passou a viver sua morte:
significou sua vida e
acabou-se a poesia.
Um desabafo de um assalariado
Um furto de um suco aguado
Uma história, um pedido segredado
sol
céu
soul
som
são
sílabas
suas
O barulho é conhecido
grafá-lo é quase impossível
seria algo próximo a tsiihh
ou até mesmo tssiihhsss,
faz-se após a ação da mão (pâuphh)
ou até mesmo só dos dedos (nkclohhh)
aí depois vem o mglu-mglu-mglu-mglu
e o arhhhh
no calor, então… nada melhor
Um dia a paz de um fim de semana
há de ser tanta, terna e eterna.
Há de ser do gosto do pôr-do-sol,
da quentura de um abraço no frio
e do jeito que o coração manda,
como se tivéssemos sempre aquela
primavera nos pés.
Andávamos sobre a natureza
e você com a primavera nos pés
dizia coisas sutis sobre a vida
eu, como sempre, falava sem
compromisso sobre mim e
pensando que falava sobre a vida
Dormimos juntos e foi bom
Estava frio e foi bom
Bebi um tanto e foi bom
Fui eu e foi melhor ainda
Como psicografia
sento: palavra sai
Como psicanálise
escrevo: alma vai
Como psicopatologia
invento: o eu se esvai
O ônibus como sempre
A mesma fila à frente
O distúrbio da buzina
O descompasso da vida
A fala infinda ao lado
O sono justo e suado
A trepidação da via
O sonho da alternativa
E no meio do engarrafamento
o sol se pondo ao poente
num vermelho de tudo,
em meio a um azul já negro
e bem no meio desse sol
um ipê florindo, despontando
seu amarelo, contrastando
com a vida… parei, respirei
e ouvi meu coração:
as coisas ainda cabem no mundo
Neste que fica sendo seu
dou-te um beijo letrado
grafado nestas que se põem
assim, uma após a outra
e que relembram esse
que é seu: um após outro.
Gira a Terra e este fica
sendo seu, e por esse
dou-te estas, sem sentido,
ou todo o sentido, apenas
letras, umas após as outras,
mas já suas.
Tenho brincos nos bolsos para te dar
mas há um medo que desanda em se dar
que me dou o descompasso de ter medo
de te dar os brincos que tenho nos bolsos
As palavras tem poder de corte
Tocam a pele e promovem o sangue
Palavras vistas, mais do que as
ouvidas, são mais afiadas ainda…
Cuidado, pois, com que seus
dedos produzem, ou até mesmo,
pensando direito e bem, cuidado não…
I forgot my name.
Because the name
it’s never the same,
like the rain:
water comes down
and end.
Amanheceu neblina
de tudo hoje em mim
só sombras sem fim
neste eu qual rima
Amanheci muzak
hoje em Brasília
o horizonte sumiu
e sumi também eu
poesia?
é a cabeça da caceta
eu só sou
(a idéia vem da cabeça)
era um vento que
ensaiava ser vento
e era só vento mesmo
perder os pés
pô-los pelas
mãos, ser pés
alma vaga vem vindo
vôo alto, animal aéreo
alma vindo vem, vaga
o coração carrega
a cor da ação cá
regando as veias
o gosto do ar
é da cor dele
e movimento
o gosto do mar
é da cor dele
e reflete ondas
o gosto do céu
é da cor dele
que reflete ondas
cheio de ar n’alma
parece que nada há
cheira a alma e ar
Menina que faz menino, não é mais menina.
Menino que faz menino, não é mais menino.
Menina que faz com menino, não é mais menina.
Menino que faz com menina, não é mais menino.
Menina que faz qual menino, não é mais menina.
Menino que faz qual menina, não é mais menino.
Menina que faz com menina, não é mais menina.
Menino que faz com menino, não é mais menino.
Menina que faz como menino, é quase menino.
Menino que faz como menina, é quase menina.
Menina que faz com menina e menino, é quase menina.
Menino que faz com menino e menina, é quase menino.
That empty face
say things so easy
The beautiful black
smile in this face
is more like a half moon
in the mirror of
the bus window.
Now, I believe: that
empty face is the
most pure life.
Enfim, o encontro.
Os atos todos,
meras técnicas
pedagógicas
Apenas aportes
metodológicos
E quando eu
me mostrei um
grande monstro,
foi só pra te
ensinar uma
lição apenas:
assim, caminha
a humanidade.
um pouco de paz recai sobre os ombros
parece ser um mínimo de coerência
mas pode ser também o enredo triste
de uma peça sem sentido e sem noção
pode ser o começo de minha desgraça
mas pode ser o final de meu poente
pode até ser uma noite eterna em dia
e ainda assim ser o sentido que faltava
pode ser que eu me encontre no mar
mas pode ser que eu me perca neste
quase corcunda de tanta paz recosto-me
na janela aberta e me deixo cair aos poucos
parece ser um mínimo de existência
mas pode ser o que não mais há de me ser
e ao mesmo tempo há de me caber todo
pode ser o que não digo por entre as
palavras de amor e também o que se sabe
pode ser até mesmo doce e ainda mais azul
como se fosse um filme bem dirigido
mas pode ser que seja mesmo a vida
te amo, pacificamente, como se normal,
em outro rumo, em outro ambiente
em paz comigo, consigo, contigo e com tudo
contudo, pode ser até mesmo saudade,
mas que se fosse chamaria-se amor mesmo
pode ser até mesmo indiferença, mas
que é paz de toda forma, posto que é e
isso basta. Poderia até ser o que não se é
mas no mar, no ar, me perco, despenco
viro aquilo que ainda não posso definir
(continuo)
Minha amada, cai o mundo sobre o céu
refletindo meu peito.
Não sei seu nome, não sei sua sorte
não sei.
Tenho a sorte de te haver em mim
mesmo ainda não a tendo
Tenho o mundo caído sobre meu peito
refletindo um céu sem nome,
Não há, não houve, nada cabe nesse ínterim
cada um como
se deve ser
cada um sendo
é como se
cada um sendo
se devesse ser
cada um como
se deve
Eu quero é amar irrestritamente
quem passar pela minha frente
Eu quero é sentir o corpo de alguém
colado ao meus pelos e suor
Eu quero é ser livremente amado
por quem quiser me amar
Eu quero é me dar
Eu quero é me entregar para quem for
Eu quero é me doar para quem quiser
Eu quero é a imensidade do conceito
de liberdade na máxima interpretação
do termo amor
Eu quero é externar minha vida
pra quem me apraz e até pra quem não me apetece
Eu quero é a solicitude de uma vida
em minhas mãos e o seu jogar fora sem culpa
Eu quero o que não me dá prazer
e o que mais me enternece a alma
Eu quero é apaziguar meu ânimo
e deixar que os outros cuidem do seu
Eu quero é ser responsável pela conduta
do outro e depois deixá-lo ao léu
sem lenço, documento, sem vida e sem amor
Eu quero é que todos saibam que isso
tudo é a vontade do meu amor e do meu ego
Você chegou devagar
na hora que mais precisava
Chegou para ficar
e ficou minha namorada
Fez posto em meu respirar
e não largo mais por nada