1743. Da minha boca

Desculpa, eu fiquei
entre eu e a culpa,
entre a voz e o
ser. Não abri
mão dos meus ouvidos
e fiz parte da maior
de todas só o que
ouvi.
Vozes outras, que
não se aproxima
da fortaleza,
eu fiz delas verdades
e esvaziei meu
casulo, reduto confortável
que sempre me guardou.
Perdi minhas vistas
nos olhos dos outros,
perdi o cruzeiro,
fiquei com a
insolvência da percepção
torpe de quem
não cabe em mim,
não sou, nunca fui
Don Juan. O que
me cabe é o véu
diáfano da timidez
revelada.
Essa palavra sim é
minha, a conquista quem
me deu foi outra boca.

Florianópolis, SC.

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