1836. Nêmesis

Tudo ao mesmo tempo
Parece que nada pode ter fim
É exatamente tudo ao meu alcance
Tudo agora
Um milhão? Dois milhões?
Tudo agora
Nada pode escapar
Duas garrafas de champanhe
Dois tintos
Seco
Cowboy
Da branca
Do pico
Três cortesãs estilo Britney
Caviar
Carpaccio
Mais mulheres
A qualquer hora
Tudo sempre
Tudo sempre
Eu quero música
Eu quero banheiras de hidromassagem
Espelho no teto
Espelho nas paredes
Espelhos no chão
Eu quero meu reflexo eterno
Nunca mutável
Três botox
Cinco lipos
Colágeno
Castanhos
Lentes e todos os tipos de óculos
Armani, Vitton, o melhor, o mais novo
Todo o tudo
Eu quero lugares
Aviões particulares
Paisagens espetaculares
Praias, desertos, paragens
Fotos e foda-se as milhagens
Do exótico, comer formigas
Da tradição, vinho francês
Do social meia lata: indianos banhando-se em meio a defuntos
Eu quero as imagens:
Todas imóveis no HD e eternizadas no meu blog
Nunca acabáveis
Quero estudos antropológicos sobre os índios kaingang
Quero um mapa dos sítios arqueológicos mais antigos dos Ramapithecus
Eu quero viver eternamente presente
Só o agora
Todo o agora
Sempre o agora
As ações são para o agora
Os imóveis são para o agora
As fazendas são para o agora
O senador e os cinco deputados são para o agora
O procurador é para o agora
O juiz é pra o sempre
Advogados tantos, tontos, todos
Secretárias, secretários, gerentes, diretores, serventes, cozinheiros, chefes de divisão, técnicos, polícias, traficantes, mucamas, bóias-frias, carteiros, pilotos, jogadores, publicitários, putas, michês, cabeleireiras, bombeiros, engenheiros, arqueólogas, loucos, médicos, padres, pastoras, professores, professoras, estudantes, marceneiros, marinheiros, milicos, programadoras visuais, web-designers, engenheiros agrônomos, químicas, físicas, matemáticas, presidentes, indigentes são para o ontem
E todos agora
Tíquete, vale-transporte, 10 prestações de 29”: tudo de vocês e para o além
Todos dentro do meu bolso
Para todo o sempre e agora

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