2942. #EuSouGay

e o amor ocorre ao largo
do ódio que não se contrapõe
quiçá a antípoda houvesse
pois que indiferença mata menos
– e oxalá – há de vir! – nada matasse
anatomicamente igual
(e nem lembrem de tamanho, forma, cor…)
humanamente – sempre – diferente

igual assim quando ele diz:
“meu homem é lindo”,
tal qual se dá quando ela sussurra:
“quando com ela, não vejo o tempo passar”,
o amor ocorre não entre iguais
ao que nem gêmeos podem ser:
isso de iguais

isso de iguais não cola
(imã mostra, velcro prova,
mas a gente não é metáfora)
gentes são mesmo diferentes
e nunca – provem o contrário! –,
nunca mesmo, iguais

cada tudo é um único
e o amor se dá aí
entre diferentes
isso que se torna igual

me pergunto mesmo o que define:
é um membro, um órgão, uma condição, uma condução,
um cromossomo ou um status?
e o amor aí se dá, se doa e se faz
sem a definição precisa
ou mesmo a imprecisão cirúrgica das prisões simbólicas dos discursos

e nem mesmo só o amor,
se dá igual é o tesão
a passionalidade, a explosão
o toque ocorre entre essas diferentes
entre as únicas, exclusivas em si

entre, dentro e fora
no meio, no centro, na borda
amor igual nunca igual
amor apenas
sem pena, com penas, plumas e paetês
com barbas, pelos, bigodes
com peitos, bundas, coxas, com o que pode
paixão serena
e quando dê, tensa

porque único, diferente e cada qual
amor é – sempre – assim:
igual que nem,
igualzim…

#EuSouGay

7 comentários em “2942. #EuSouGay

  1. Acho que não tem definição, nossos parâmetros são racialmente limitados até que nos chega a canção do desejo e da intimidade, aquela que nos permite compartilhar corpo e espírito e saborear tudo o que o outro tem a oferecer.

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