3058. Na hora oeste, jaz a luz

eu sentia
e não fazia sentido

bem na frente daquele
chumbo aquoso rasgado
em clarão partido
pendiam cachos roxos
dum ipê florido
nesse sítio improvável
para um junho já ido
um noroeste todo
a ser erguido

bairro bruto ornado
no barro ecológico
por fim construído
o sustentáculo
do chumbo que partirá
ares dos poucos
pulmões ali comprimidos
pelos tantos futuros
pés transeuntes automotivos

uma cilada à hora exata
em que pousa o ocaso
enternecido
resulta ali no meio
dos cachos, da chuva,
do roxo – tudo tão vívido
uma parte tanta
do meu ainda coração
já todo partido

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3058. Na hora oeste, jaz a luz

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