3281. Iara

Por quais águas se esconderá?
Até ontem a vi nas correntes dos meus olhos,
desabava por entre aquela cachoeira
Vinha de dentro de mim

Antes, ocupou-me tanto espaço
nem sabia que havia esse mar todo dentro aqui
Mas foi um mar que desabou
durante cinco noites seguidas, aflito
E ela foi indo junto, parte por parte

Se recompôs onde?
Onde agora ela nada?
Não sabê-la mata, não se nada
Esse vazio de mar agora,
derramado olhos afora
E eu aqui todo e sem ela a me ocupar

Por quais águas ela se adorna
de conchas e corais, de algas?
Em qual praia canta sua hipnose,
de qual areia chama o torpe a se enternecer
e marulhar-se no fim da tarde
entre o tórrido e o líquido?

Aqui havia esse tanto de mar,
esse litoral inteiro
pronto para ela
Aqui dentro, amplo
Por que desabei?

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