3601.

devagar, como naqueles tempos
em que assistimos aos capítulos finais
– e estávamos lá, vivemos!
ainda percorrem nossas veias esses tempos

como no compasso de tecer rendas de bilro

moldar o barro em roda até cerâmica
devagar, como nos mitos e nas lendas
como no tempo de pórticos e portais
de umbrais

eu te descubro sem pressa,
demorado lençol de longas tardes

eu te descortino vagaroso,
abrindo ao teu consentimento tuas janelas

alicerce para o voo, firmamento

calmo e devagar
como nas cartas de 1700
como passos no passeio público

pique-nique no bosque e vereda de tardinha
uma imensidão de por-do-sol sem fim

até, lentamente, você me descobrir dentro da tua noite
essa que ainda não sei

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