3717. Horóscopo Floral

Queria construir outras constelações
e a cada traço imaginário
unindo os pontos, as candeias,
reverter os destinos

rastrear o plasma arremessado
por estrelas passadas
ardendo eltro-magneticamente
a fagulha dos contornos

Não destruir os signos,
mas distrair os sentidos tidos
e recompor o firmamento

Faria em cada nova constelação
uma flor, ou seus cachos:

Quem nascesse sob o signo das Gerberas
seria solar, raiante
A quem pousasse a constelação de Gerânio
múltipla e ímpar se faria delicadamente
Quando no horizonte despontasse
em acensão as estrelas que compõem as Begônias
o eu de quem assim surgisse
irradiaria a suculência da vida
Sob os auspícios da Rosa
teria personalidade de quem
fere retinas dado o belo
O signo da Açucena
oposto complementar ao de Jasmim
traria a elegância opulenta
contrapondo-se à fineza discreta
E se Marte repousasse aplicativo
à constelação da Flor de Manacá
sua ação seria doce e leve
Pelo signo de Violeta, o mistério, o segredo
e a necessidade do velado
No trígono entre Vênus e Dama-da-noite
a suavidade e o perfume exalariam
da sorte desse encontro
Entre a Lua e Lírio
um ser de sentimento aberto e calmo
dado à emoção
Se no Meio do Céu se formasse
a constelação de Tulipa na hora do nascimento
trabalharia com o coração, abençoando todos
os frutos de seu labor
E quando na 12ª Casa, repousassem as candeias
no feitio da Orquídea, o mundo espiritual
seria contagiado pela plenitude
ciente da brevidade

dessa nossa matéria
feita de pó de estrelas

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