Carol, o nome é
simples, mas eu
teimo em tornar
freudiana a palavra.
Autor: Guilherme Carvalho
1492.
Me chama pra
sair e eu morro.
A chama de
sair é ume estorvo.
Acabo sempre como
Dickens, o corvo.
1491.
só por uma noite
eu acredito,
mas meus erros
insistem em
ser ainda e
querer apagar
a réstia da noite.
1489.
Um dia, quem sabe?
Eu viro o poeta
dos desamores,
enquanto isso
vou sendo esse
mesmo, poeta
dos dez amores.
1490. Zarolhas
As estrábicas
são as melhores,
as mais bonitas.
Eu quero essas
que o contrato
social jogou
pra longe.
Eu to aqui no
infinito esperando
por vocês,
zarolhas.
1488. De que adianta o belo na vida
Eu sou um sujeito errante
Erro aqui, erro ali,
erro depois e antes
E meu maior erro
foi no frio,
fazer do carvão
diamante.
1487.
Inviolabilidade
do dinamismo vital,
minha mãe podia
ter tido um direito
legal
e aí essa dinâmica
toda não era tal.
1485.
Noite longa,
lenta
e ainda assim,
a gente tenta.
1486. Cada um cuida de si e do seu corpo
Dinamismo vital:
a jurisprudência
do não-respeito.
1484. Puto
Meu peito está puto
Também pudera
tudo o que passa,
ele pondera
1482. Segredo
você me falou
uma coisa bonita
uma das coisas
mais bonitas
você me falou
teu sorriso mudo
foi quem me
contou
1483.
Eu te respeito
mais duas
dessas e dou
um tiro no
meu peito.
1481.
Do centro dessa
música, essa
música me observa
pode ser só o
efeito da cerva
mas algo ali
nela, desperta.
1480. Amor anti-marxista
Não se lia amar,
mais-valia
ali se lia mar
mas valia
Não se lia amar
só se lia
Não se lia amar só,
mas valia
Não se lia amar
só mais-valia
1478.
Ah! dá-me mais
dessa liberdade
que em troca
dou-te todo esse
amor, que não
existe.
1479.
Esses olhos
que tentam me
definir, são
os únicos que
vêem minha
alma, são
os únicos
que vêm da alma.
Constroem o mundo
ao meu olhar
procuram profundidade,
forma, parâmetro,
inteligência.
Esses olhos que
me observam
tocam fundo
e daqui dois
anos eles nem
saberão que
eu também sou
eles agora.
Daria tudo
pra ter o olhar
desse bebê.
1475.
Quando eu passar
pensem em mim como um
que passa sem passar
que não pára de pensar
que se apressa ao passar
que pára pra pensar
que passa ao parar
e que só possui o ar
1476.
Vou morar no azul
Fazer alicerces nas
nuvens
Erguer uma palafita
sobre o monóxido
de carbono
Vou construir
a morada do
meu abandono
1477.
No escuro obtuso
de tua contenção
confusa, descubro
que nunca quis
ficar aí, to bem
aqui, comigo,
claro, o mesmo.
1474. Cansei
Se eu Eros
puder o ser
pra você
todo o disso
inteiro e
paz de tabela
eu o sou,
pra você.
Cansei do
Tânatos indevido
1473.
Aqui, onde o
único mar que
se vê é o céu
eu me atiro
de um trampolim
rumo ao nada
Eu não tenho
guelras e
minhas garras
não conseguem
capturar o nada
e as escamas
são plumas que
se perdem a
cada submergir
no éter
Peixe fora d’água
o que me sustenta
é essa imensidão,
quase liquefeita.
1472.
Ela disse
“Agora, por favor,
vai embora…”
E eu sem
pensar no que
eu queria,
fui…
1471.
Dois dedos de
piano antes de
começar a viver
deixo-me esse
rasgo de prazer.
1470.
Isso que dá
se meter onde
não é chamado
acabo assim
com um buraco
no lado
de dentro
da alma.
Isso que dá
escolher o
imponderável
1469.
Eu te olho
e nada
você se mexe
e nada
em você, ela
não vem.
O pé na
bunda displicente,
meu celular,
é certo.
1467.
|
amor |
insiste |
. |
|
não |
é |
. |
|
é |
não |
. |
|
insiste |
amor |
… |
1468.
termino aqui
não cabe
nada pra depois
e pra lá
vai ser tudo
feijão com arroz
lugar comum
deixo pra quem
quiser qualquer um
que possa
passar do
que pra depois
não cabe
nem lá.
1466.
|
sentido |
|
percebido |
|
tido |
|
sentido |
|
ido |
e |
lido |
|
lido |
e |
ido |
|
sentido |
|
tido |
|
percebido |
|
sentido |
1464.
|
queria |
aprisionar |
|
ser |
me |
|
livre |
para |
|
para |
livre |
|
me |
ser |
|
aprisionar |
queria |
1465.
|
morro |
araçá |
|
verde |
azul |
no
|
azul |
verde |
|
araçá: |
morro |
1462.
Te perdi no paraíso
almejando o perfeito
Lá na Canaã dos
sentidos eu te deixei
No Éden perdido
tu ficaste
Devia ter te
trazido pra realidade
e no inferno
passear de mãos
dadas contigo.
1463.
|
sorrir, |
sorrir |
|
quando |
partir |
|
no |
eu |
|
fim! |
fim! |
|
eu |
no |
|
partir |
quando |
|
sorrir, |
sorrir |
1461.
Qual a medida do pior?
Viver a ilusão
ou a desilusão?
Uma é uma mentira
que se faz verdade
a outra uma verdade
que se fez mentira
é quase a questão
do ovo e da galinha.
1459.
como sempre
apreensivo, como
raramente não sou
ou como sempre
louco que sou
1460. Indiferente
se contar bem foram
mais de dez ilusões
com você passa das
onze, meu bem
1458.
Nunca roubei
um coração
Louca, roubei
o seu não
Nunca, rol hoje
de saudade,
devia ter
sido ladrão…
1456.
Vamos brincar de casinha
Eu papai, você mamãe,
mas sem filhinho ou filhinha
só a forma de os
fazer é bem-vinda.
Sem contas e sem compras,
só comida de mentira.
Vamos brincar,
quem sabe a gente
não leva a sério
como nos tempos
de criança?
1457. Daucus carota
some não
só me negue
se me ter
for se meter
num vão
some não,
seu nome
não some
se some
eu sumo
sem nome,
sem rumo
some não
se some
a mim
e seja só
assim, um
sim
1455. Procurando sorrisos
Certamente é
uma incerteza
que de tão
certa me fará
chorar.
1453.
Quando eu chegar
talvez tudo mude
mas eu sei mesmo
é que tudo mudou
quando eu fui.
Fortaleza, CE.
1454.
Você passou por
mim em Fortaleza,
saia preta e
esse mesmo teu
cheiro.
E foi você passar
que veio esse mesmo
teu gosto.
Eu trouxe Brasília
no meu olfato
e paladar, agora
quero te
raptar pra cá.
Fortaleza, CE.
1452.
Fortaleza
aqui volto
eu com
toda a
certeza.
Fortaleza, CE.
1451.
Uma noite sobre
a Terra,
inteira,
com você
há de ser
ainda
Fortaleza, CE.
1449.
Queria sair da bolha
e conhecer os
bosques
as bocas
as bocadas quentes
a boemia e os bares
e a baixeza,
queria viver.
Fortaleza, CE.
1450.
Ainda venho
pra esse lugar
do caralho
e te levo junto
ou te trago
um pedaço
Fortaleza, CE.
1448. Flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
no centro da praça
da praça do Centro
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
queima o meu amor
e flamba o meu intento
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
me diz em segredo
com as folhas ao vento
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
anseia ao mar
este que eu não vejo
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
cura a minha dor
me mata em respeito
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
me enterra ao teu lado
onde não fixas nitrogênio
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
rubras as tuas pétalas
sombras os teus seios
flamboyant vermelho
Ah flamboyant vermelho
flamboyant vermelho
na tua calma imponente
o meu esteio
flamboyant vermelho
Brasília via Fortaleza, CE.
1446.
Queria teu sorriso
por instantes
e a dormência
das tuas pernas
no meu corpo.
Teresina, PI.
1447.
Minto porque é
verdade, pois
se verdade
fosse eu
mentiria
Fortaleza, CE.
1445. Poesia sampleada de prostitutas
“Cerveja sozinho, nego?”
“Amor é o caralho,
entendeu? O caralho!”
“Ah, vai tomar no
cu seu corno!”
“Eu vivo é assim mesmo”
“Velho é bom, mas eu
gosto mesmo é de
cabacinho…”
“Ihh… Assustou
o garoto…”
Teresina, PI.
1444.
Alamedas de caju
vermelhificando verde
o céu araçá
Cajuína de existência
em Alvorada do Gurguéia
Alvorada do Gurguéia, PI.