ser errado
encerrado
num cerrado
já serrado
meu ser erra
solitário
entre árvores
tortas e pés de
paus quebrados
pós-queimados
molhados
Meu nome é Guilherme, poeta , professor de geografia da Secretaria de Educação-DF e mestre em geografia (UnB). Tive AVC em maio de 2020 (isquêmico) não consigo falar ainda. Tenho apraxia e afasia. Apraxia é um distúrbio neurológico motor da fala, resultante de um deficit na consistência e precisão dos movimentos necessários à fala. Afasia é uma alteração na linguagem causada por lesão neurológica.
ser errado
encerrado
num cerrado
já serrado
meu ser erra
solitário
entre árvores
tortas e pés de
paus quebrados
pós-queimados
molhados
O longe desolado
com e formado
pelo sempre do agora
e a plenitude do
outro lado.
o sino da igreja
atinou com o sol
a pino e o céu
se abriu sorrindo
(Vassouras, RJ)
eu sei que você ria
quando eu dizia
apreciar uma boa
panturrilha,
mas o que eu queria
era só encostar
nessa sua linda e lisa
essa minha
Logo pela manhã cheguei ao lado
e vi que ela tinha bafo de cana,
disse que havia caído da cama
e que tinha esse um tanto de mucama.
Parei um pouco e pensei:
o bagulho é tenso, se for pra ir vai,
mas depois não reclama.
Quando cheguei chegando ela disse:
ih mano, desencana.
Cada praça
em que passas
se equipara
um momento
de sentir
um lugar
que no tempo
para.
(Vassouras, RJ)
Se beber sem
brindar resulta
em alguns
sete anos
sem trepar,
dada a quantidade
de cervejas
sorvidas sozinho,
eu deveria
viver a meditar.
Quando se
abre para
as perguntas,
sempre chega
a sutileza
das umbigadas
na cara.
uma folha
vermelha
passeia na
lama numa
formiga que
anda
qual será
o âmago
entre
inseto e
planta?
se
dor
fala
se
só
for
cima
para
lado
este
(Vassouras, RJ)
c o l a
d o n o
c o l o
d e l a
c a l o
Você é esperto
pra caralho,
essa sua coisa
semiótica é
bem isso:
metade da
visão de mundo
embaçada por
turvas palavras.
Se eu pudesse
tombava essa cor
do céu,
pelo excepcional
valor que ela
tem quando você
colore o meio dela.
mantenho a compostura
metendo na sua postura
indeferimento
dentro dê
ferimento
interferir
dentro ter
ferir
minha posição temporal
meu momento espacial
isso eu posto no mundo
O que se
sustenta
quando
Gizuix
tenta e o
Çatam
atenta?
Meu eu-objeto
num prisma
cientifilosófico
irradia minha
lusófona cor
de ódio.
“Eu tenho trabalhado
com duas referências
acadêmicas principais:
a masturbatória
e a masoquista.”
Enquanto você apenas espera
ela vaza
Metendo no seu coração
o que o mau afeto quer
Sim tenha você que ansiar
sim, sim, sim, sim, sim
sap-me
sua leoa
e traduz
meus trotes
pros seus
rugidos
completa
mete
na
sua
essa
minha
alma
nua
Se a gente
não encontrar
adeptos às
boas novas
que trazes
dos morros,
se quiser,
basta nós dois,
que eu te
acolho.
eu disparo um sorriso
com a arma que tenho
para matar
frustrações
para esse teu tão sortido
que permeia o instrumento
onde proliferas
teus sons
fico calmo contigo
nessa alma que ocupa
o espaço das
sensações
no encontro do seu ouvido
que ampara o que de mim
sai em busca dos
teus tons
Paulatinamente vermelhas,
à primeira hora da manhã,
elas virão frutíferas
prontas a alimentar
de todo modo e a adubar
depois de saciantes.
sendo com sono
meu ângulo
quando reto
não acha essa
bissetriz sua
Cá pra nós,
no Capanema
o melhor
é o jardim:
um espaço a
burlar a
máxima
do concreto.
(Rio de Janeiro, RJ)
vai ser um misto de ódio e amor
sorvete de creme com jurubeba
uma bateria de fuzis
e uma tolerância e condolência nas têmporas
mandando no pente o mundo às favas
atrás tem algo
que não é pulga
é mais um carrapato
bem no lugar
em que uma estrela
endureceu e deu
Terra
“quando o som quebra-mar dessas ondas um dia vier me embalar
como o tempo em que calmas as tardes recebem seu negro lençol”
e o deslocamento líquido
como o céu percorrendo a superfície
feito ondas nas caixas do peito
acho a razão do espelho
imagens que rimam
dessa matéria que é feito o amor
líquens
pulsares
massa disforme imaterial
vontade
chuva fina no concreto
desejo
mínimas partículas indivisíveis
crepúsculo
impulsos
soluços
invasão
suor
aromáticas ervas na panela
tardes inteiras
noites todas
falta
esquecimento
ódio
sorvete de creme
( )
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depois das três
manhã
mandalas
borras, cartas, palmas, astros
mato
chão
as vezes é necessário
alguns passos para trás
nem que seja só
para sair do lugar
se gentileza
gera gente lesa,
sou leso
por natureza
Eu jogo
os dados
para que
meu dados
não sejam
assim doados.
Prefiro a paga da sorte.
De novo o diabo
do ovo ou da galinha
e a falta de rima
para ponderar sobre
o início e o infinito.
da feita que eu defeco
no afeto danificado,
deixo o dano de lado
e me afeto só com o afoito
fato confusamente
consumado com o ato
consumido no fim de papo
Noite alta
melhor hora.
Alta,
melhor a
qualquer hora.
Falta
dentro para
todo agora.
Calma.
A pele da noite
pelo todo dos
pelos da alma.
Dentro-fora.
Noite alta
melhor hora.
Um dia a gente
entende e tende
a crer que, a partir
de então, está
valendo.
a concordância é uma dança
sem par, a cabeça balança.
o riso falso é uma queda de um
cadafalso,
quando se pensa o chão que ampara,
é a cara no asfalto.
em
quais
caberá
a
dor
liquefeita
em
que
vens
e
vais
?
Suspenso o firmamento,
é firme o momento
de derreter junto às nuvens.
bem no vão entre a saia
e a cadeira
fica ali meia coxa inteira
sem meia
trançadas as pernas
abaixo pneus
olhos de esgueira
deixam as minhas
cabeças sem eira nem beira
intelectuais inorgânicos
em suas ilações espirituais:
inumanos tão próprios
em suas fritações sentimentais
já me disseram que
meu problema é escutar
dar voz e dar razão
se esse é o xis
da questão
logo surdo e moco
então
Quem você acha que eu sou?
Conquanto mede o mesmo
a minha e a sua dor.
Se tanto somos nós,
pavor e torpor.
Quando se alinham nossos
estigmas em lapsos de amor.
Quem você acha que eu sou
senão você recolado numa
fresta do reflexo longínquo?
Sempre nós dessa corda
tesa que nos liga às impossibilidades
do intermédio
que vai de nós para laços.
Existe essa linha
que irradia uma
camada de rosa
para dois mundos.
É uma linha nunca
alcançável.
São pontos de luz
e trevas.
Existe sempre
uma névoa que
condói os olhos
e prisma os
raios de sol.
Existe esse mundo
de paz perpétua
entalhada nas
paisagens.
Horizonte.
olhar não olhando:
o modus operandi do flerte
olhar bem olhando:
as estratégias de ao hoje rolar
08-10-24-30-55-58