para se
conectar
com o
horizonte
a ponte
é todo
onde
Categoria: Poesia
2863.
a igreja pasteurizada:
1845
alguém na moça
passa o pinto
e o saco
ao lado do
sacro recinto
animal humano não minto,
pode crer que assim é
desde sempre,
sinto
2862.
páginas:
partículas
paradas
de histórias
cantadas
em tinta
e papel
2861.
As flores são belezas despropositadas
e eu tento encontrar o nexo,
de que planta você saiu?
2860. Vertical
Quando eu
despenco,
meu dizer,
penso, não
é de quem
cai, mas
de quem
se joga.
2859.
a sabedoria de
bar é linda,
só precisava
haver mais
senhoras, com
suas inteligências
que sangram
2858.
elegante a dona
com seus longos
cabelos grisalhos
espera fechar o
semáforo com
seu guarda-chuva
de lado
– céu aberto –
quanta história
caberá em cada
passo seu dado?
2857.
rosa sempre roda
e é cada nota
recheada de memória
2856. pausa
e eu coleto
seletivamente
o que
conecto
2855. Com, pensa.
me mostra
bruta a
conduta
que eu pago
a paga dura
músculo teso
e envergadura
2854.
os contornos
dos frondos
da samambaia
pendurada
delineiam a
paisagem
enclausurada
na sala
2853. Foi
Quando ele
viu que
boiava
em suas
lágrimas
e,
nesse mar,
parou.
Ali,
onde um
abismo líquido
se formou.
2852. Daqui é isso
rio pólvora
polvilha pó
e apelos
por parte
de um povo
de pele
parda, preta,
que parca
de posse,
não pode
nem apelar
para outros
meios
2851.
as braquiárias não tem culpa
tão pouco os eucaliptos,
os fícus ou a soja
diante da luz refletida
nas gotas insistentes nas folhas,
toda culpa se torna apenas
herança maldita,
feita de laços absurdos
2850. Pô, só meio…
Naquele dia em que eu falhei
não foi falta de vontade
talvez justo seja o fato
do excesso na cabeça junto ao anseio
pela obrigação dos comprimidos
dias para a cumprir e medir
talvez também tenha estado
esse estado complacente
de querer-te as coxas todas
esses inteiros travesseiros
de panos lisos e linda estampa
também provável talvez foi a vontade
absurda de percorrer essas panturrilhas indescritíveis
críveis apenas porque as vejo e toco
falhei no ato mesmo,
mas dentro
– toque, pegada, todo desejo
que possa –
faz de mim assim,
quase só,
um meio brocha.
2849. Racha-dura
Quando se parte
a dor que arde
é de quem finca
ou de quem reparte?
2848. acordar maracá
tem um poder
tem esse sonho jê
dentro do que me é ser
2847. despertar tambor
é bem assim
é tipo um benin
bem aqui em mim
2846.
E eu realmente me preocupo com o mundo
com as coisas dadas
com a desigualdade de tudo
esses conceitos prévios introjetados
nas veias dos genes e dos símbolos
Me preocupo com a causa Palestina
e mesmo com toda peste
bayer-mão-santa assassina
Mas o lance que agora me toca
que me rebela bossa
é esse seu rebolado embalado
no concreto e no asfalto
Essa falta de chão que tira piso quando ao lado
Essa bala efusiva
calafriando pele e pelos
pelo todo de tua boca
lábios em carne e cerne
com contornos e adornos
num breve batom
(que logo tiro)
E tem esse tom de rubras unhas
ao me rasgar as costas
que me posta em pirar
que o mundo é uma bosta,
mas com você rola mesmo uma aposta:
ok, depois eu guerreio,
pausado primeiro meu sono
nas suas costas
2845.
Essa mpb de boteco
tudo bem, pode ser só
do não vivido um eco
“mas eu sei que você sabe
que eu sei que você sabe”
que há só uma linha reta
daqui até aí,
já estou na sua…
mira?
2844. Ocaso
a luz do sol
se despedaça
no horizonte
vagarosamente
as nuvens-prisma
que dilatam e
deformam a linha
tênue entre o
céu e o mar
secionam o espaço
em violeta, gris,
dourado
as camadas de água
borradas no céu
passam rentes
estacionadas no sem-fim
nenhuma forma inteligível
tudo estrutura
de matéria
de luz
alguns galhos rasgam
o firme visto e
pássaros pintam
movimento
horizontesse
desconstruindo diariamente
estratos de luz
que se dissolvem e imiscuem
até o toque negro
anunciante de toda manhã:
noite
(Ilha de Tinharé, BA)
2843.
Eu podia
dizer que é
feitiço,
mas só
penso em
você
e não é
nenhum
suplício.
2842. Solto
E eu quero é torrar no sol
para que ao céu
minha cor contraste
e eu não me sinta tão traste
dada a sina que me condói os genes
Quero que me avermelhe a pele
como índio que me deenianiza-me
Como isso vindo das confluências do Xingu
e de um encontro hebreu e ébrio
na subida do Araguaia
Que do carajá que me encoraja
aja o ferro em troca
para o carvalho que baste
na selva-silva em que silva o sussurro
de uma cascavel constante,
essa kundalini étnica
que dança louca quando se lembra hereditária
do mar que a povoou um dia:
lusa ínsula guiada por constelações e ventos,
nau de degredo que me agrega:
isso quando eu-construção-histórica solto na praia
(Ilha de Boipeba, BA)
2841. Para um silêncio preciso
E eu sou tão solícito
apanho grãos,
gotículas miúdas,
carnes trêmulas mirantes
– apenas as passantes –
pela reta das retinas
Maneio o vento
que dá vida a toda cor viva
anteposta a toda cor humana
que é cor parada e estática
Quero a pausa promovida
pela emancipação da liberdade dos caminhos trilhados
as ilhas que promovem horizontes de benfazejos
Apenas o instante das pequenas ondas que
se encontram com os turbilhões dos rios,
esses fios no largo da terra
Quero fios para fazer colares
que lhe darei
e as cordas dos seus cabelos,
esses novelos negros com anel,
sem qualquer clã de Rapunzel
Apenas seu colo
e eu calo toda solicitude
2840. medida
daqui te miro,
essa distância:
…
mil suspiros…
2839. coquete
em si o mar
o ar
quando
na praia
2838. Santa Amplitude
a amplidão reflete a pausa do tempo
na transformação de nuvens:
o nascedouro desapegado de toda água doce
o silêncio pousado no espaço entre uma gota e outra
reflete o instante perfeito de todo o ego:
crianças vagando sem rumo pela praia
passa imperfeita
nuance de horizonte e ciclo interno
para as veias incandescentes da terra
essas que fazem brotar ilhas e montanhas
flores de rocha bruta que desenham paisagens
a amplidão reflete a si mesma
dentro da palma de qualquer mão
2837.
Esse “sopro de
brisa leve”
que vem soul e eu:
sopra e sente
meu corpo,
no fundo,
é o vento
quem entende.
2836. frenética
fonética
do risco
no papel
da caneta
sonora
poética
2835. Pra 2
domarem
o firme
dom do ar
não basta
voar,
é preciso
pular.
2834. Pra 1
domar
as ondas
do mar
não basta
nadar,
é preciso
navegar.
2833. “A noite é quente e sem urgência”
Sei lá de mim
aqui no na da
ilha do
sem fim:
só, nu, há, sim…
2832.
melhor que
ficar aqui só
na bubuia,
seria você
ter vindo junto
de mala e cuia
2831. O que você quer com isso?
( ) A. O amor e seus pontos médios.
( ) B. O amargo do remédio para o tédio.
2830. Relaxa
relaxa
és só uma
rês
não acha?
relaxa
conquanto
não racha
2829. Não precisa traduzir nada
o risco que eu sigo
é que o signo
do teu ser
siga a sina
da tradução
dos filmes
da globo:
mesmo que eu entenda pouco, quase nada,
é melhor no original
2828.
reclusa calma
n’água
reusa a alma
infusa
em ondas que trazem e levam
2827.
minha proposta
é só paz posta
e aí? aposta?
2826.
Me enegra
eu tinga
e não nega
e às outras:
nem mira,
só erra.
2825. é
elas ainda vivem aqui
cada uma na sua revolta
crescem descabeladas
me acompanham desde
quando eu me entendo
por mim
desde o quintal e o jardim
elas me habitam
2823.
a loucura se aproxima
parada em uma esquina
nem tão longe de onde
se perdeu as botas
nem tão perto de onde
o vento faz a volta
a loucura se aproxima
numa lucidez que alucina
nem tão pouca como
o que não se nota
nem tão tanta como
o que sempre lota
a loucura se aproxima
calma paz assassina
nem tão má feito
o diabo gosta
nem tão boa feito
um santo possa
2822. Sem controle
remota, remota
essa noia
do que não possa
2821.
lento é bom
tendo com
em dois o tom
2820. Porque está em tudo
Deixar-se fluir
pelos espaços
entre folhas e galhos
mirando a nuvem
alvo dissipada
Pairar por entre mangas
e quedar no reflexo
do vidro espelhado
Pousar o corpo entre
os vãos da grama
e silenciar todo caminho
esse momento humano
onde rodas pousam
e não nasce planta
Se dimensionar no
mesmo peso de pétalas
de espatódeas pelo barro molhado
2819. Novos classicismos
Não é permuta,
mas quando com
minhas ideias
eu ficar só,
não haverá cicuta,
e sim um amargo
cálice de timbó.
2818. Cri$e
quando mesmo o real
é apenas virtual
quando um dólar
não tem valor
quando bancos
centros do mundo
se deslocam no tempo
na ânsia por todo espaço
quando o lastro
é apenas um rastro
de algo que já houve
quando toda cifra
não existe no mundo
palpável
quando ouro é
todo o outro real
quando prata já
não se encontra
quando o bolo infla
mais do que as bocas
existentes e ainda
assim não alimenta
talvez
provavelmente talvez
seja a hora de
trocar as coisas
pelas próprias coisas
2817. Confesso
Ela era comercial processo
Ela era primeiro processo
Ela era duro processo
Ela era longe processo
Ela era quente processo
Ela era grande processo
Ela era primeiro processo
Ela era solto processo
Ela era desencadeado processo
Ela era afago processo
Ela era fofo processo
Ela era dissimulado processo
Elas eram todo o processo
Elas eram todo o processo
Ela era interstício e além de todo o processo
Ela era primeiro processo
Ela era igual processo
Ela era meio processo
Ela era algum processo
Ela era louco primeiro processo
Ela era meio ansiado processo
Ela era meigo processo
Ela era certo processo
Elas eram todo o processo
Ela era livre processo
Ela era doido processo
Ela era livre igual processo
Ela era alicerce e tropeço processo
Ela era meio ansiado todo processo
Ela era livre igual lá processo
Ela era imagem processo
Ela era primeiro processo
Ela era meio ansiado todo inatingível processo
Ela era aconchego processo
E dela eu me faço processo
2816. Etnografando baús
carência e
demência
e no fim
de algo assim
só clemência
2816.
é bom perder
poder, parece
que quando a
gente pode menos
até pode mais
2815.
então tudo bem
deixa quieto
isso que eu queria
queria mesmo
era de perto












