tempo de dizer que o amanhã
era todo o tempo quando nunca houve o ontem
no eterno hoje desse sempre agora
Categoria: Poesia
2813.
Descobri o caminho do meio:
fica no extremo do que eu quero
e no além do seu desejo.
2812. Frêmito
e depois era isso que se via
o caminho existente entre
a saliência da barriga
e essa região imaginária
no interstício das virilhas
2811.
o problema é
isso imposto
não pactuado
nada representado
de um lado
uns poucos
querendo do todo
o bocado
e do outro
o cassetete do
estado
2810.
ali
ao
léu
alê
lia
tanta
letra
nela
se
via
que
toda
loa
dizer
conta
não
daria
2809.
sem mistério.
isso que
sai preso
e solto,
é sempre
o ego.
2808.
ser errado
encerrado
num cerrado
já serrado
meu ser erra
solitário
entre árvores
tortas e pés de
paus quebrados
pós-queimados
molhados
2807.
O longe desolado
com e formado
pelo sempre do agora
e a plenitude do
outro lado.
2806.
o sino da igreja
atinou com o sol
a pino e o céu
se abriu sorrindo
(Vassouras, RJ)
2805.
eu sei que você ria
quando eu dizia
apreciar uma boa
panturrilha,
mas o que eu queria
era só encostar
nessa sua linda e lisa
essa minha
2804. Historieta para uma Antonieta
Logo pela manhã cheguei ao lado
e vi que ela tinha bafo de cana,
disse que havia caído da cama
e que tinha esse um tanto de mucama.
Parei um pouco e pensei:
o bagulho é tenso, se for pra ir vai,
mas depois não reclama.
Quando cheguei chegando ela disse:
ih mano, desencana.
2803.
Cada praça
em que passas
se equipara
um momento
de sentir
um lugar
que no tempo
para.
(Vassouras, RJ)
2802.
Se beber sem
brindar resulta
em alguns
sete anos
sem trepar,
dada a quantidade
de cervejas
sorvidas sozinho,
eu deveria
viver a meditar.
2801. Na palestra
Quando se
abre para
as perguntas,
sempre chega
a sutileza
das umbigadas
na cara.
2800.
uma folha
vermelha
passeia na
lama numa
formiga que
anda
qual será
o âmago
entre
inseto e
planta?
2799.
se
dor
fala
se
só
for
2798. Quando o sol nasce nos morros
cima
para
lado
este
(Vassouras, RJ)
2797.
c o l a
d o n o
c o l o
d e l a
c a l o
2796.
Você é esperto
pra caralho,
essa sua coisa
semiótica é
bem isso:
metade da
visão de mundo
embaçada por
turvas palavras.
2795.
Se eu pudesse
tombava essa cor
do céu,
pelo excepcional
valor que ela
tem quando você
colore o meio dela.
2794.
mantenho a compostura
metendo na sua postura
2793. Do parecer/Do fim
indeferimento
dentro dê
ferimento
2792. Das relações
interferir
dentro ter
ferir
2791. Dimensão
minha posição temporal
meu momento espacial
isso eu posto no mundo
2790. Aos quarenta e cinco do segundo tempo
O que se
sustenta
quando
Gizuix
tenta e o
Çatam
atenta?
2789. Raiz
Meu eu-objeto
num prisma
cientifilosófico
irradia minha
lusófona cor
de ódio.
2788. Método
“Eu tenho trabalhado
com duas referências
acadêmicas principais:
a masturbatória
e a masoquista.”
2787. Paráfrase de pedra e água
Enquanto você apenas espera
ela vaza
Metendo no seu coração
o que o mau afeto quer
Sim tenha você que ansiar
sim, sim, sim, sim, sim
2786.
sap-me
sua leoa
e traduz
meus trotes
pros seus
rugidos
2785. Porque quente
completa
mete
na
sua
essa
minha
alma
nua
2784. Ministério do acolhimento
Se a gente
não encontrar
adeptos às
boas novas
que trazes
dos morros,
se quiser,
basta nós dois,
que eu te
acolho.
2783.
eu disparo um sorriso
com a arma que tenho
para matar
frustrações
para esse teu tão sortido
que permeia o instrumento
onde proliferas
teus sons
fico calmo contigo
nessa alma que ocupa
o espaço das
sensações
no encontro do seu ouvido
que ampara o que de mim
sai em busca dos
teus tons
2782. Amanhecerá tomate
Paulatinamente vermelhas,
à primeira hora da manhã,
elas virão frutíferas
prontas a alimentar
de todo modo e a adubar
depois de saciantes.
2781. Seno/Cosseno
sendo com sono
meu ângulo
quando reto
não acha essa
bissetriz sua
2780.
Cá pra nós,
no Capanema
o melhor
é o jardim:
um espaço a
burlar a
máxima
do concreto.
(Rio de Janeiro, RJ)
2779. E com sangue nos olhos
vai ser um misto de ódio e amor
sorvete de creme com jurubeba
uma bateria de fuzis
e uma tolerância e condolência nas têmporas
mandando no pente o mundo às favas
2778. Geografia da percepção
atrás tem algo
que não é pulga
é mais um carrapato
bem no lugar
em que uma estrela
endureceu e deu
Terra
2777. Tá certo, tá certo…
“quando o som quebra-mar dessas ondas um dia vier me embalar
como o tempo em que calmas as tardes recebem seu negro lençol”
e o deslocamento líquido
como o céu percorrendo a superfície
feito ondas nas caixas do peito
acho a razão do espelho
imagens que rimam
2776. “Ou maldade das pior”
dessa matéria que é feito o amor
líquens
pulsares
massa disforme imaterial
vontade
chuva fina no concreto
desejo
mínimas partículas indivisíveis
crepúsculo
impulsos
soluços
invasão
suor
aromáticas ervas na panela
tardes inteiras
noites todas
falta
esquecimento
ódio
sorvete de creme
( )
22
depois das três
manhã
mandalas
borras, cartas, palmas, astros
mato
chão
2775. Um axioma do movimento
as vezes é necessário
alguns passos para trás
nem que seja só
para sair do lugar
2774.
se gentileza
gera gente lesa,
sou leso
por natureza
2773. Mote
Eu jogo
os dados
para que
meu dados
não sejam
assim doados.
Prefiro a paga da sorte.
2772.
De novo o diabo
do ovo ou da galinha
e a falta de rima
para ponderar sobre
o início e o infinito.
2771. E fim de papo
da feita que eu defeco
no afeto danificado,
deixo o dano de lado
e me afeto só com o afoito
fato confusamente
consumado com o ato
consumido no fim de papo
2770. Negra
Noite alta
melhor hora.
Alta,
melhor a
qualquer hora.
Falta
dentro para
todo agora.
Calma.
A pele da noite
pelo todo dos
pelos da alma.
Dentro-fora.
Noite alta
melhor hora.
2769. E eu via anos atrás o na frente.
Um dia a gente
entende e tende
a crer que, a partir
de então, está
valendo.
2768.
a concordância é uma dança
sem par, a cabeça balança.
o riso falso é uma queda de um
cadafalso,
quando se pensa o chão que ampara,
é a cara no asfalto.
2767. Cá há ais
em
quais
caberá
a
dor
liquefeita
em
que
vens
e
vais
?
2766. De algodão. Doce.
Suspenso o firmamento,
é firme o momento
de derreter junto às nuvens.
2765. grandes
bem no vão entre a saia
e a cadeira
fica ali meia coxa inteira
sem meia
trançadas as pernas
abaixo pneus
olhos de esgueira
deixam as minhas
cabeças sem eira nem beira