the other
another
is it my
order?
1192. Passos
Prostro pé
ante pé
não sei se
consciente
ou se por fé
Boto pé
depois de pé
às vezes
parece
marcha ré
Vai-se pé
e outro pé
rudes, duros
o caminhar
me é.
1191. Machina
É uma saudade
tão intensa
que se retroalimenta:
sai pelos olhos
e sorve-se pela
boca.
Moto perpétuo
da falta.
1190.
Não existe
coisa menor
mais linda.
Meu carinho
mais profundo
a esta pequenina.
A própria
poesia.
1189.
Meu choro é
esse que corre
não por ser só
um idiota
mas por querer
caber tudo o
que é bom
no peito.
1188.
Meu mundo é feito
de palavras cruas
todas estas
as mais filhas
da puta.
Meu mundo é
construído com
estas feito um
enxame tenso
em minha boca.
Não as digo
para ninguém,
floreio tudo
com palavras
de meu bem.
1187. Ocaso
Me encontro a
Oeste.
Meu eu sempre
poente.
Enquanto todos
nascem eu
anuncio o
fim do azul.
1186.
Não saber o
que fazer ou
não saber o
que querer?
Eis a questão
oculta no
limiar de
uma mesa
qualquer.
1185.
Sem culpa.
Eu só penso
no que me
esvai.
Ser de todas
e não de
mim.
O que quer
que seja
irracional
e sem sentido.
FODA-SE
A RAZÃO!
1184. Cadê as batatas?
Uma boca em
bico.
Um ego rindo.
Um medo
fluindo.
Um constatar
de se ir
indo
(ou vindo).
1183. Copo vazio
E quando esse
ímpeto
de pureza
cai sobre os
olhos?
Piscar ou
deixar a cabeça
pensa
de lado?
1182. Formiga
Sentir-me
pequeno.
Içá.
Não cabendo
sentir-me
ínfimo.
Taturana.
Não podendo.
Sentir-me.
Há de sentir?
1181. Tangente
50 centavos.
Talvez seja
o preço de
minha alma
não necessária
nesse então.
1180. Nem
Agora nem
vai chover.
Porque verdade
é nem saber
de si toda
hora.
Não se
caber.
Não chover.
1179. Agora
Apagar-me
e ser a fumaça
esvaída
no halo das
horas.
O sentido não
sentido.
E sair sem
batatas-fritas.
1178. As duas numa cama
Eu não
queria nada
só contemplar
sem fetichismos
medíocres.
Contemplar
com a alma
ébria de
possíveis
poesias.
1177. Cover
Se eu fosse
uma namoradinha
de banda
talvez filmando
meu algoz
se encontraria
a morte
almejada.
1176. Seleta
Não vejo
olhar
algum
vejo o
canto do meu
olho
nos
olhos
que me são.
Olhos
que são.
1175.
No meio de
Deus só
tem eu.
E como eu
sou Deus
no meu meio
tem eu.
1174. “Espaço de mulheres”
Eu dizia que
sabia não
falando nada.
Só incompreendia
o ocaso.
Não estava
nem cá
nem lá
como sempre.
Meu único lugar:
eu.
1173. Ocultar
Queria os
atos
feitos e
apresentáveis.
Um amor e
só uma angústia.
O sabor
do sol sobre
os cabelos
e a sombra
sobre meu
desejo.
1172.
Será que eu
sobro ou
será que me
sobram
os segundos e
a cerveja
quente misturada
a seleta ainda
mais quente?
1171. Nuvens
O choro do
silêncio.
Na introspecção
plena.
Dividimos nuvens
náuseas e
desesperos.
Cada um não
sendo.
1170.
Reinvento
Réu, invento
Eu no vento.
1169.
Desdenhei do chumbo
desenhei no fundo
o mundo
1168.
A nuvem passou
O sol nem acabou
O céu nem desabou
O sorriso estampou
1167. Smooth
another cigar
is something
between the
earth and the air
1166. (Vão)
Calças verdes
frouxas
rasgando a
claridade
do
dia
arrastam
o
que
não
se
saber
ser.
1165. Brado
Possivelmente
talvez
quem sabe
seja
entre o
vazio
e
o acaso
que se dê
a
sincronia.
1164. Caneta
Afavelmente
caiu o mundo.
Sopro talvez
estático
do primor
etéreo.
Mais do que
cosmos.
Toda cultura
jogada como
si.
1163. Queda
É como essa prata
que se sustenta no céu.
A beleza do cadarço
desamarrado e sujo
de barro.
Esse que ainda é nossa
metáfora mais
indizivelmente humana,
como as vagens
caídas da pata-de-vaca.
1162.
Antigamente, sempre naquele lugar
Minha pequena estava a me esperar
Hoje nunca sei quem vou encontrar
Deveria desvelar agora meu findar
1161.
Me ensinou
a dizer
“não:
é fácil”
mas parece
que dizer
pra você
é a coisa
mais
difícil.
Quando
digo “não”,
quase um
martírio.
1160.
o frêmito, o desejo
o frisson
frenesi à toa
de sentimentos
sem-graça agora
por que?
não foi você
que propôs
o intento?
1159.
Queria tocar meu pau
como uma guitarra
e solar no banheiro
as mais divinas
melodias.
1158. All is full of empty
O empate do
embate,
um baque:
7 X 0
pra mim.
1157. Inseto (ou epistéme)
O anacronismo da minha alma
diz que estive
naquela porra de
lugar
Um propósito
uma proposta
e a contemplação
inerte
de que o tempo
é uma mosca, morta.
1156. Pueril
São olhares
ou visões?
Começou pela
Mão
e ganhou sentido
nos dedos.
1155.
Meu ato
atávico
sem significado
e sem
ato.
1154. Signo
Visto vermelho
por você
pra saber
que meu eu
derreteu
no sangue
não vertido
de suas entranhas
e bolotas
negras
na minha
peruca loira
(e plumas, paetês
e lantejoulas
as poria só por
você).
1153. Espelhar
no espelho nossas imagens
braços, ombros, afagos
enlaces e encaixes contínuos
no espelho nossas liberdades
que se abrem ao infinito
das possibilidades do prazer
no espelho dos seus versos
meus versos espelham o
amor que se expande por tudo
no espelho do meu quarto
janelas que dão visão ao
desejo do eterno (nosso amor)
1152. Tema para Izis III
As palavras nunca tiveram tanta matéria
quanto essas que se formam ao pronunciar
num sussurro rápido e tépido,
essas que se coadunam na boca
e trazem consigo uma verdade
não perecível a qualquer fato árduo da vida,
essas que permitem o estado de
desejo do futuro
essas duas tão simples: te amo.
1151. FLUIR
Fluía por entre opacos pedaços de cidade
pensando que o ocaso de meu dia
chegaria a qualquer momento.
Fluí por entre becos escuros e vielas turvas
crendo que a aurora de minha noite
viria não num raiar, mas em minha morte.
Fluí até teu encontro, quando aurora e ocaso
deram-me a tez de meu sorrir puro
e crivaram em meu ser ardor esperançante.
Fluímos nós pelos pedaços acres da cidade
pintando de açúcar os muros e as grades
que encarceravam nossa felicidade.
Fluímos, assim, pelo amor.
1150. Minutos
os minutos derramam saudade
os minutos não gostam de mim
os minutos constroem vontade
os minutos te trazem assim
os minutos me distanciam de tua beldade
os minutos, sem você, querem meu fim
1149. Tema para Izis II
Meu rosto possui
este riso que
não cessa
É um arco teso
em minha face
que não baixa
Um sorriso incontido
que não consegue
parar de ser
Meu riso em meu rosto
é este que demonstra
meu amor por você
1148. Tema para Izis I
Aventurar-me no desconhecido
viver o que é possível
contíguo ao desejo vivido
e contigo isso é crível
Repousar o corpo ao teu
sentir que o estar no outro
não precisa ser peso meu
ou que todo anseio é rouco
Gritar aos quatro cantos o bem querer
de escutar a poesia que sai da
tua boca ao dizer o amor.
1147. Invasão
Dou-te um pouco de poesia
crendo o ato ser mais que
ele mesmo, ser algo que vai
além de sua forma.
Crendo que sua existência
possa chegar aos limites
de tua existência e a formar um
algo que seja, bom ou mau,
não importa.
Crendo que meu ser se
perpetue pelos ares de
qualquer lugar, já que
filho e filha não almejo mais ter.
Não espalho meus genes
tolos por entre os vazios da humanidade
perpasso a própria humanidade a
quem desejar.
A mísera humanidade que me coube
ter contato e que me cabe dentro
do meu ser.
Invado-te com esse poema,
sabendo que o encontro com ele
a(o) fará ser diferente, já não mais
a(o) mesma(o) de dois segundos atrás.
Apresento-me aqui assim então,
nesse ato de terrorismo poético
crendo, como um Cristo,
no poder da palavra.
Crendo que cada palavra é
a própria construção do ser,
que cada idéia solta nalgum lugar
de si é o que constrói o ser.
Palavras.
Dou-te palavras para o reflexo,
dou-te este poema espelho,
dou-te este narciso,
dou-me em palavras possíveis
para me caber em si.
Perpetuar poesia em cada
ser que possa.
1146.
canto o teu encanto
ansiando que em teu canto
leia o meu pranto
e dramático me lanço assim
a solicitar-te um encontro… (vamos nos ver?)
1145.
Psicanálise ou psicopatia?
Um dia ainda como minha tia
1144.
I don’t have anything
just me and I
going to nowhere
speaking the language
of nothing
just my death and my liberty
just a glass of vodka,
the mirror of the soul