1479.

Esses olhos
que tentam me
definir, são
os únicos que
vêem minha
alma, são
os únicos
que vêm da alma.
Constroem o mundo
ao meu olhar
procuram profundidade,
forma, parâmetro,
inteligência.
Esses olhos que
me observam
tocam fundo
e daqui dois
anos eles nem
saberão que
eu também sou
eles agora.
Daria tudo
pra ter o olhar
desse bebê.

1473.

Aqui, onde o
único mar que
se vê é o céu
eu me atiro
de um trampolim
rumo ao nada

Eu não tenho
guelras e
minhas garras
não conseguem
capturar o nada
e as escamas
são plumas que
se perdem a
cada submergir
no éter

Peixe fora d’água
o que me sustenta
é essa imensidão,
quase liquefeita.

1448. Flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
no centro da praça
da praça do Centro
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
queima o meu amor
e flamba o meu intento
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
me diz em segredo
com as folhas ao vento
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
anseia ao mar
este que eu não vejo
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
cura a minha dor
me mata em respeito
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
me enterra ao teu lado
onde não fixas nitrogênio
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
rubras as tuas pétalas
sombras os teus seios
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
flamboyant vermelho
na tua calma imponente
o meu esteio
flamboyant vermelho

Brasília via Fortaleza, CE.