1448. Flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
no centro da praça
da praça do Centro
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
queima o meu amor
e flamba o meu intento
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
me diz em segredo
com as folhas ao vento
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
anseia ao mar
este que eu não vejo
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
cura a minha dor
me mata em respeito
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
me enterra ao teu lado
onde não fixas nitrogênio
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
rubras as tuas pétalas
sombras os teus seios
flamboyant vermelho

Ah flamboyant vermelho
flamboyant vermelho
na tua calma imponente
o meu esteio
flamboyant vermelho

Brasília via Fortaleza, CE.

1441.

Se você quisesse
eu me entregaria
mas tua carne
nobre não se dá
com meu espírito
plebeu e a
vizinha de minha
dor já se foi
com o cobrador
da lotação e
aliança no dedo

Meu quase-amor
se suspende
entre a lua
que mancha a
sirene da polícia
aqui em Ceilândia

E certo é que você
não passe e eu
fique na turva
cova da não
definição

1439.

O que a gente precisa
é do peso
O que a gente precisa
é do cheiro de bacon
frito e só um vale-
transporte no bolso
O que a gente precisa
é que o último cigarro
caia na poça de lama
O que a gente precisa
é esquecer o amor
no celular desligado
O que a gente precisa
é tacar o celular na parede
O que a gente precisa
é doer mais
O que a gente precisa
é matar qualquer desejo
O que a gente precisa
é ser esquecido
O que a gente precisa
é faltar para si
O que a gente precisa
é esperar o beijo
e lamber a parede
O que a gente precisa
é não virar nem memória
O que a gente precisa
é saber que ela não
te sente
O que a gente precisa
é não precisar
O que a gente precisa
é ser passa-tempo e
não resposta a
qualquer intento
O que a gente precisa
é não ter grana
prum filme idiota
O que a gente precisa
é ser um idiota
O que a gente precisa
é se apaixonar
pelo impossível
O que a gente precisa
é ser vergonha
O que a gente precisa
é ser convite desdenhado
O que a gente precisa
é voltar ao éter
E eu nem sei mesmo
o que a gente precisa

1423.

E eu insisto em partos sem rumo
EU engravido de um absurdo
Eu compro meias e faço tricô
Quando o nada vier, estará bem guardado

Eu insisto no nada

Sinto os movimentos dos braços
Sinto que não tem sexo ou gênero
Enjôo fácil e quero comer tijolo
Se eu não comer, meu nada terá cara de parede

E eu crio o nada

Aqueço meu colo e estremeço em dores
A bolsa estourou e o líquido é verde
Eu sinto que estou parindo com fórceps
Deformo-me o nada em minha própria imagem

Eu sou meu rebento

1405.

O amor que a gente construiu
sucumbiu a um mero vento
Hoje é paixão ao relento
eu dormindo sob o céu
Esse engodo que nos consumiu
deglutiu-nos tão lento
É sensação sem sentimento
são intenções jogadas ao léu
O espelho que nos refletiu
pediu-nos um intento
de virar história com o tempo
e se fechou destino cruel