4100.

A lida constante e
ininterrupta com as
distâncias te faz
se esquecer das
proximidades.

A primeira,
a mais abandonada:

si.

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4100.

4099. Irrefletidamente

irrefletir por dentro
d’água e refletir o céu
azul do sol por entre
os pelos do peito,
feito arraia dentro da
areia dentro do rio,
como num tempo de
sem horas, de só sol
vagar, devagar, de vagar.

a descompressão do
mergulho no movimento
contínuo das águas
em cachos e correntes.

atar-se n’água.

4099. Irrefletidamente

4093.

Já avança a meia
da travessia
e até agora
o brilho não se
fez aos olhos,
como se o desarrumo
das lágrimas atmosféricas
tivessem virado
a luz para dentro
do Sol.

Mas o certo é que
a desesperança do amor
é que me tomou
as rédeas e não
arredou mais pé

até que o céu
de Marte se assomou.

4093.

4091. Vai lá, ama.

Cristais de nitroglicerina
em todo o beijo,
urânio enriquecido
os abraços,
um tiro e uma facada
ao toque dos sexos
e o algodão do doce encontro

– um domínio, dogma não declarado,
o amor É sinônimo de posse,
primordial o fato, o sobrenome dele no papel,
cavalos brancos e pétalas e plumas de príncipes
voando de helicópteros
e o primeiro tapa até o último soco.

Como a mágica frase
anteposta feito poema
no instagram
dos corações solitários,
pesa a tonelada
de transformar a notícia falsa
das sessões da tarde
e suas barrymores
em notícia quente e,
três tuítes depois,
requentada do jornal das oito:

mais um feminicídio computado.

4091. Vai lá, ama.

4090.

Pensa na música mais bonita
que você já escutou na vida.
Eu provavelmente
a odeio do fundo do meu ser
e essa voz me dá asco.

O que me encanta
te causa repulsa e pavor.

Para além de um talho
na democracia,
é isso que talha
o mundo a existir.

4090.

4084.

quando parou para pensar na dor
uma pomba riscou o céu azul
e trouxe a face dela de lã dourada

é naquele templo que há coroação
um infinito de paz na luz dos
movimentos que apaziguam
dores e dilemas

há riscos
sempre há riscos

4084.