quem é partido
à força ido
resta sempre pensativo:
quem lá ficou
o que terá acontecido?
já quem é ficado
do ido apartado
pensa um bocado:
será lá assim,
um tanto assemelhado?
Meu nome é Guilherme, poeta , professor de geografia da Secretaria de Educação-DF e mestre em geografia (UnB). Tive AVC em maio de 2020 (isquêmico) não consigo falar ainda. Tenho apraxia e afasia. Apraxia é um distúrbio neurológico motor da fala, resultante de um deficit na consistência e precisão dos movimentos necessários à fala. Afasia é uma alteração na linguagem causada por lesão neurológica.
quem é partido
à força ido
resta sempre pensativo:
quem lá ficou
o que terá acontecido?
já quem é ficado
do ido apartado
pensa um bocado:
será lá assim,
um tanto assemelhado?
Se até o google ganha
dinheiro com uma economia
das palavras, por que
não posso aspirar por
uma revolução semântica
que nos dê asas e faça
da glosa um mote assim
de artilharia metralhada?
Não, não tem que religar nada não,
quando eu nasci
já se deu a ignição.
Um terreno meta-terrestre
um pedaço de terra
num terreiro
um território inteiro
entre o orun e o àiyé,
um tao, no meio.
sou do tamanho dos
meus átomos que se repetem
incansáveis desde o início
das eras:
luz, onda, negra matéria
inércia
esse momento todo cheio
coisa perene e etérea
Parece festa
no final, só
o sono resta.
Toda fuga ideológica
Toda forra teológica
Toda lógica
racional, cartesiana
é mera, insólita,
quando sólida
pois ocasional e dinâmica
dias ásperos
de espera
parca esperança
pedaços espalhados por cada parte
esparsados
esmigalhados
existências diluídas
em tantas gotas de sangue
em vários portos
unidades dissolvidas
misto de dor, degredo e desespero
banzo e distância
diáspora
desterro
bem na frente daquele
chumbo aquoso rasgado
em clarão partido
pendiam cachos roxos
dum ipê florido
nesse sítio improvável
para um junho já ido
um noroeste todo
a ser erguido
bairro bruto ornado
no barro ecológico
por fim construído
o sustentáculo
do chumbo que partirá
ares dos poucos
pulmões ali comprimidos
pelos tantos futuros
pés transeuntes automotivos
uma cilada à hora exata
em que pousa o ocaso
enternecido
resulta ali no meio
dos cachos, da chuva,
do roxo – tudo tão vívido
uma parte tanta
do meu ainda coração
já todo partido
no flow da passada
no moinho de vento
no martelo rodado
no tapa
na oralidade eletrônica
no mix devir
na flecha da ponto quarenta
o passado se conecta
moto perpétuo
não ressurge
o passado é
vapor pra cima
a treta é densa
ninguém saca porra de nada
a não ser quem tá dentro da parada
era chibata
era chicote
gás de pimenta é mote
cassetete
grade e cacete
sem exalar o olor das flores campestres
o esgoto corre podre pelas
beiras das senzalas
todas às favas, as favelas desencantadas
pelas sociologias de cafés e bistrôs
o bonde tá formado
corre mais quem tá no lodo
quem tá no asfalto não sabe do bote da cascavel
ou do bote da bura
ganha os ares em helicópteros
ganha as cifras e os cifrões
ganha a grana e a gama dos horizontes de expectativas
rouba futuros
oxalá ganhará artilharia antiaérea
na lata
na fuça
nas venta
assados no rolete
o quilombo é o front
nos lemos malês inteiros
a aldeia é o front
xavantes avante guerreiros
o banco é o alvo
a democracia participativa é o alvo
a comunicação é o alvo
liga nóis não
o xis da questão é o foco
é o alvo
você é o alvo
Porque eu gosto de uma leoa. Rugindo, balançando a juba, ronronando do meu lado…
Chorar uma torrente
pra limpar os olhos
e encharcar as olheiras
lhas inexistindo cristalinas
chorar essa tormenta
anticiclônica e tropical
apenas para o encantado de um tremor nos ossos
dos ofícios artificiosos
essas margens desaguadas da falta de calor
uma das vestes do carinho
chorar copiosamente por dois dias
e três noites
por nada
só
pra.
o livro dos rostos:
imagens miméticas
haikais da moral
e o descompasso
do mau costume
duas árvores da vida perfilando os nós
macramê intrincado
e tu dizias que sabias da trama cada rumo
cada ponto, todo o labirinto
teci, fio a fio, o que pude
réplica passo a passo da revista
mas tu, onisciência plena,
refutava minha tecitura com borboletas azuis
ipês floridos e cachoeiras impávidas
tudo bem, eu não competia
nunca decaí em inveja ou tentação
essa miudeza tão boba
todo adorno da adoração deixo a ti
só quis ocupar o vago das mãos
não costurar o tudo dentro da minha presença
Como um enredo pra Rodrigo Campos,
duma distância vizinha,
a vista alumbra e não é lombra:
visível dança lenta,
longa pausa da mente
e o deslize num samba cadenciado
encadeado,
meus pés, seus pés, nossos passos.
Entre a hipótese crítica
e a hipocrisia na crista da onda cristã
nossa dança, preta e branca,
contas num colar pra lá e pra cá:
minha flecha e seu espelho,
nossa guia.
Explode o sol, as ondas fervem
despencam cifras, as trilhas caem
a terra treme, o mar avermelha
pardo.
Tudo arde, mas no caos acaso da cidade, eu e você,
dançamos na densidade.
suas pupilas mareadas
boiavam e não diziam nada
minhas papilas gustativas
só queriam provar suas lágrimas
e elas todas tímidas,
bem ao longe, assim caladas,
degustaram só silêncio
à deriva, separadas.
diante dessa falta de além
esse vazio imenso, imerso
coisa teofóbica intensa
você poderia me chamar
um nome qualquer, monossilábico
terminado em i ou m
construindo castelos
ou pequenas ocas de barro
para nesse ventre voltar
imerso entre líquidos amnióticos
terra e gozo
morada e mistério ainda que possa
me chama
me grita
ainda que valha
Despenco entre tuas coxas.
Me comprimes.
Quando sou?
Segundos, ecos do teu céu.
Metralhadas aleatórias
Do teu fuzil erguido.
Anseia por mim deitado, casto
E desfaz-se tsunamis
Punhos d’água pela Orla – meu corpo.
Me esmagas
Com teus socos diretos.
Meu sangue titubeia
Certo.
Fiz-me ainda angústia
E esperança.
Borbulho-me gases estomacais
Azia devida.
Sou erro
Batimento marca-passo
O apagado ausente.
Feito tua imagem:
Costela.
a silhueta do horizonte é esguia
só contornos luzidos daqui afloram
a noite quer deitar por terra
todo o quase do relevo
– vira céu
essa tatuagem luminosa
sobre a derme de um corpo anoréxico
pousado eu percorro esse parco contorno
como agora
pela derme desse lugar
todos
uma certa carência
uma creta urgência
cratera, reentrância
essa sem importância
um cordeiro de jeová
sem quem salvará
um tanto horizonte
mero ponto, quiçá ponte
esse troço amorfo
forma de amor no mofo
uma metade de parte
sem todo, em marte
De dentro da carne
bruta do concreto
brota um broto de
pau torto, um pelo
penso que ornará
todo o arquitetado
erguido finado.
O futuro possui longos
cabelos verdes.
Me liga amor e me convida a andar pela urbe
só para termos impressões.
Só para abdicarmos da exatidão das horas
e vivermos horas que sejam
no infinito do mundo sem relógios.
Ali, naquela esquina, cresce um prédio amor.
Vamos nos deleitar no sem compromisso
de passar os olhos pela vastidão dos andares
murmurando pragas contra o loteamento dos céus.
Amor, me chama para fazer nada e ficar gastando,
deitados debaixo de uma mangueira
até querer levantar e ir olhar a velocidade.
Me invita a sentar na areia
de frente ao mar
de costa aos morros
e rodeados de brisa, bruma, vento e nós.
O mar no ar dançando as cordas dos seus cabelos
e ouriçando meus pelos.
A gente sentindo o tempo
até querer sentir a água nos pés.
Meu bem, a vida vem – invariável –,
mas mesmo assim variemos a missa,
voltemos a olhar para a história só pelo prazer:
você de saia e chapéu cloche
eu de fraque e cartola
num pique-nique à beira da lagoa,
imersos na contemplação de qualquer coisa…
longe a voz se faz
a mecânica tesa da acústica das fibras
que compõem os sentidos
percebe a vibração desde já
imagens turvam a vinda
turbilhonam bilhões de textos
fazem a voz dançar
derramam expectativas esparsadas
– esses espaços da espera
longe, há voz vindo
sorrindo em explosão
vibra desde lá já cá frações
– mesmo, já denunciava a primeira explosão:
os ecos longínquos lançados ao além,
existência urgente desde a grande
balbuciam grotescas conexões
os sentinelas de agora e essa voz que já se prevê
pois urra o fim versado no início
caminha pela vastidão árida do futuro
até a planície desde agora
perpassa lapso vindouro
eco sonhado
nos vales do passado
nos fossos abismais e nas fossas abissais
do tempo da existência:
o pretérito, como prisma a decompor a luz do ser
mas longe a voz se faz
pós escrito lido antes
reverbera no peito
posto isso, o prenúncio da voz que vem medita:
há o agora
limpando estrelas:
a derradeira lida, o único eito
a prisão dos pixels
o eterno calor das horas pares
“me dá a mão para o gozo?”
assutado,
maculei a miragem no horizonte
“afaga o centro da passagem,
essa abertura à liberdade interna
mesmo que ardente”
como água fluindo em dedos
rios mãos
mares braços
avassalando os pixels
“morre na minha imagem…”
more no meu horizonte,
as vistas se perdem no meu horizonte
“treme, eu sussurro”
apaguei as flâmulas de fora
entrando como água até as entranhas
“digital, a sua árvore da vida vinha
deleitando minhas raízes”
espera, amor das horas ímpares,
não há frio vindouro
meu horizonte é prisional
e eu todo água
à brasa dessas horas infernais
Quando do coco da cabeça
se faz a ponte ao todo
do corpo,
quando o inteiro do ser
bloqueia a inércia
de não ter,
quando a totalidade
da fé se completa com
flechas e raízes,
quando a independência
é solução diluída
e sorvida na água da luz,
é quando o horizonte
repousa circundante
dentro de si:
no meio dos cocos, como chaves para uma libertação.
são invisíveis
esses que teu medo enxerga e te faz correr
elas não existem
essas para as quais tu fechas o vidro
os órfãos de casas
as improprietárias das ruas
aquele que no teu íntimo pensas
em atear fogo para lhe dirimir a dor
elas são o teu incômodo
que te faz segurar mais forte a bolsa
a tua falta de culpa
são as que são sombras e sobras
do que tu dejetas
os inexistentes das calçadas
as que carregam 600 quilos de ferro
os bêbados que estão assim porque querem
todas craqueiras fantasmas
assombrações para o teu saque no caixa eletrônico
essa massa amorfa torturada
violada e volante
carne que sente
que se junta e se ajuda
na fome e na cólera
no riso e no gozo
no sangue e no suor
na loucura e na lombra
na vergonha e no que resta de esperança
qual tu,
tu que não vês nada que não caiba dentro das margens
da tua própria imagem
como Aquele Umbigo onipotente de Quem cria
quem há de dizer quem existe?
só o segredo da salvação
apocalipse 16 ronda a boca
há interesse, há alma
o mundo esqueceu e a página é morta
cada vida louca assaz louca restando grade
grande emaranhado para a salvação
do tamanho do corpo moído
três anos de reclusão inconclusos
para todo o sempre
amém.
preto
pobre
louco
ladrão
mortos desde a sua fatídica construção.
pedra
pela cabeça
pela forca
preto
pobre
louco
ladrão
guardados a sete taças, trombetas e esquecimento.
Manejar as cordas que compõem a realidade
não é lida fácil depois que você cerrou as
portas que lhe conduziam à percepção.
O mundo fica rude, puro concreto,
armado.
Reflexo bestial.
A transcendência vira mero mixtape
e bricolagem de auto-ajuda.
E as cordas invisíveis que teiam o além
da realidade, viram forca.
O que religa lhe sufoca,
o horizonte ideal lhe afoga
e no fim você só quer que lhe afaguem o ego,
lhe lambam a glande e o clitóris.
É preciso, isso posto, uma paulada na cabeça
para que o além em você desça,
rodando tudo em si,
até que corda, corpo, ego se fundam no ar
e você vire vibração de um batuque sincopado
solto, girado.
Assim, como o sentido se sentindo.
Ela disse:
“não deixe que o arame farpado
de uma realidade cerque seus
olhos que anseiam por tocar
o encantamento do mundo”
e, por amor, fiz a cerca boiar
nesse mar feito em minhas retinas,
detidamente parado
qual duas lagoas de sal. Admirando,
antes de serem admiradas,
os passos maravilhosamente calmos
daquele largo senhor ao lado.
Tudo na velocidade de ficar.
Se você já viu tantos
discos-voadores assim,
não se preocupe;
seus genes não são especiais,
você não é o escolhido,
não é louca
e nem usa psicotrópicos,
é só que você ganha
tempo demais fitando
a vastidão das alturas.
fiquei naquela
de que me baixou
foi um saci,
porque redemoinhou
tudo dentro aqui.
talvez tudo
provável nada
por hora eu só
espero a máxima
ejeção de massa
coronária
que me arda
É aquele charme
de tristeza nublada
um ar de filme noir
soma um jogo
complexo de reflexos
(as horas vermelhas
inversas, versam melhor
percorrendo a face)
É um rosto fosso fosco
e ermos olhos de
sertão desolado
O semblante agreste árido
os vidros que mosaicam
como a calmaria
de um açude parado:
verde musgo barro
pincelado de nuvens,
o momento mesmo
daquele charme
Água-chão salobra
esse rosto moreno
que chama e chora
escorrendo pelo vidro,
vermelhas, as horas
o dia acordado na pressa de uma página virada
e um parágrafo lido lentamente
com aquela voz na cabeça aos sussurros
foi antes do sonho
como as manhãs que não acontecem nunca
caladas na pausa do sonho, na entidade desperta do dia,
premendo contra o corpo, gravidade, céu
os talhos inertes na boca e a força
pra romper a manhã adiada
consumindo riso em dentes laminosos
o sorriso do sol brotando breve entre uma chuva longe
seus dentes luminosos rasgando a brevidade
da pausa do sonho, afiada luz
durante o dia
durando marcha lenta, abafada, o estampido dos vagões
cada um dragões dentro do seu dia, peito e fígado
todo um jorge, lança e cavalo, simbiótico
chuva longe, agora dentro, légua de mar nos olhos
faz-te bruma, brilha breve um bem-estar
estando como todos, lado a lado, na plataforma, arrepia a espinha
o bolso chia, corredores e pátios longos, o fim longe
aquela voz sussurra na cabeça a brevidade até o próximo sonho
e lá no infinito, um sorriso brota
fácil, ainda que bruto
Como dizer aquela palavra
que cale doce e fruta aberta,
diamante de romã ou pérola de poncã.
Como a polissemia de uma uva única
explodindo plena na boca.
Esse teu gosto todo de cheiro e cor.
E o tato na língua.
demorar na paisagem
delongando a fuga pro
olhar morar na imagem
pensei que dava
sopesei o nada
me estabaquei de cara
a extensão das horas
e dos metros
delimita e amplifica
essa disritmia
que no peito implica
a tua falta tida
assim fica
longe e longe
o coração não bate
só vibra e desafina
Houve um tempo em que tudo era o norte,
aquele lugar em que a vastidão do horizonte
pulsava nas veias
e o sem limite do céu se mirava como meta.
Era uma ânsia pelo inesperado
envolvida em súplicas por mais.
Onde não calhava aquele vislumbre de que
o enraizado é parte para o infinito
e que o sólido – que, sim, desmancha no ar –
é arte vivida no aqui e parte pura para partir ao além.
Certo que foi você quem abriu a porta
e de dentro do real deu a deixa certa;
que ao entrar na casa, minha, nossa,
a vastidão se faria em cada cômodo
e mesmo em cima da cômoda,
na escolha do pano de prato estaria ali
– estampa e essência –
uma existência plena, aberta, quimérica, real;
o não lugar mais heterotópico possível:
o amor vívido de dentro do nosso lar.
O mesmo império foi-se, oh torpe!
Desgraça dos agouros, fugida das trevas
De branco despes as noites
De matar estrelas
Ceifa bruta, corta noturna
Sorri o maldito, sensível inferno meu
Favela, espinho que sangra
Infincando as minhas têmporas
Inflama de prostrar, minha bruta
Darks mares que ampliam a tormenta cinza
Peso azedo que acorda
Ante a minha solidão
Abisma-me, salta, trovão das nuvens
Dos olhares geométricos da indiferença
Vestida dos meus pesadelos, neurônio que endoida
Vai, morre em mim
Amaldiçoaria sangue, minha alma com a sua
Carreado de suspense, feudo dos ocasos
O mesmo império foi-se, oh torpe!
Sorri o maldito, sensível inferno meu
Peso azedo que acorda
Vai, morre em mim
Amaldiçoaria sangue, minha alma com a sua
Carreado de suspense, feudo dos ocasos
Voaria esfaqueia, suas unhas entram em mim
Bebe o lodo escuro, vem, suja todo vão
No acobertado da tua pele, precisa
Pobre de mentira e a mim falseou
Que nunca nadara presa, diurna
Pelos escaleres
Mato meia meta, orquídea podre, oh meta!
Dos mesmos impérios de matar estrelas…
*Paráfrase de:
(Junio Barreto – Noturna)
dorme amor
enquanto a chávena
quente de hortelã
chega pra sarar o
afã do seu peito
dorme calma, que
ao apitar da chaleira
levo a infusão com
esse misto de amor
e erva em água fervida
pra esquentar teu colo e
acarinhar teu coração
lá fora há um mar de luz
inunda a pele de quem ele pousa
com sua própria cor de ainda agora
pelo amanhã quem se molhou dessa luz
há de estar vermelho, dourado, preto
é esse o intento desse mar:
colorir o mundo para que
as pessoas sejam apenas seus matizes,
desde o entardecer até pleno o ocaso
crise?
não crie,
creia:
crive
cravos na
crosta do
credo,
cresça
criatura e
cromatize-se.
presta atenção preta
se minha previsão
só é possibilidade
preconcebendo sua
presença, não é que
o pretérito e o
passado não prestem,
é que o presente e
a prévia do amanhã,
sem você, não procedem.
tanto mais o carro valha,
ele vindo com a cara nela,
quero ver quem a melhor leva.
meu cérebro é um diagrama do caos
coexistindo fracionário e fractal
em cada possibilidade quanto e tanto
todo momento meu cérebro
tão relativo e quântico
– quase cármico –
que suportar não quero
prefiro a mil
o breque é baque
me arrebenta no anil
da beira é tão alto
perdi a mão e fiquei
pendido na contramão
do salto