4166. Semiótica semiológica

o sinal é o sintoma
a linguagem inscrita
na falta de ar
na seca do mar
de se adentrar

antes mesmo de ser
quase vida
o além tátil
de um componente
dado informacional

já matava

camada fina invólucro
agora
de gota em gota
transpassante

viralizava

era feito de homens
e mulheres feitas em homens
e se disseminava
e se dissipava como
dente, em vento, de leão

efêmero e destruidor

o sintoma já era
um gélido calor
na ponta dos dedos
irradiando um gelo
do porvir
polvilhando de agoras
uns amanhãs incertos

arrasador

não via destinatário
quem já posto às
raias de alvorecer ao fim
da segunda guerra mundial
ou quem nativo
das nações dos dedos
desse particular alvorecer
dos novos mil
cem
dez
e de quem entre booms
x
y
z
e o big-bang que virá
numa invertida

cômico

sardônico e sádico
já era viral
era virótico
na base do virote
de gole em gole
míseras combinações
pixelares e pulsares
lacrava-se ao inverter-se

intratável

acometia tudo que tivesse
cérebro
e se instaurava
no caminho do meio
entre o afã e o desejo
no pulso do peito
causando fadiga
e perda do tônus do tesão

paumolente

ainda não era microscópico
era também
mas imagético ao extremo
assassinava primeiro
a reputação
e pulsava anseios
de voar em linha reta
da sacada até o asfalto

mutante

2.0 e beta
teste e testa
besta e fera e besta
nunca bastava
e ao final do primeiro
ano do final enfim
o milênio do agora vai
e do agora volta
– reungido e cordeiro confinado –
matou-se a si ressuscitado
e mutou-se em vírus real

já era viral
agora
voraz vai

numa simbiose bioeletrônica

4166. Semiótica semiológica

4164.

Meu corpo pode ser
uma bomba viral,
certamente é uma
bomba semiótica,
ainda uma fonte
de disparos seminais

eu, um ciborgue
de matéria indefinida,
um amontoado binário
proteico, etéreo e material
eletrodo

minha determinação real
desmaterializa-se
em dados e vírus

eu, trago o gérmen do futuro

traço no escuro

e urro

4164.

4162. O Krakatoa sabe

Vai desabar lava
fogo que vai
desabar lava
pra queimar o que tem que queimar
pra queimar o que tem


vai desabar lava
e é pro nosso bem

como as lâminas de raios e séculos
aglutinados nas raias do repouso
rarefescendo o ímpeto de vida que nos irrompia
e rescendendo o medo e a ânsia de e pelo fogo

pausa e contempla

o ar se alastra como sempre nos cobriu
a seiva pulsa como sempre nos alimentou
o sangue corre como sempre respondeu
a terra corre nascendo o tempo

tudo treme inteiramente
e a flama não cessa
de dentro das entranhas o movimento nasce
e se lança para o infinito

o caos é belo e horrível
e derrete certezas
e beija a escuridão rumo ao impossível

que somente ele é

4162. O Krakatoa sabe

4161. convive 1

escorre pelos dedos e pelas brenhas dos neurônios um nada que acomete a força dos dias em se desdizer o ontem de proto felicidades que somente seria no dia que virá. agora o virá virou apenas a expectativa do amofinado anterior que a tudo conduzia cinzas das horas mortas na ânsia de que não seria em momento vindouro. agora é espera de cinzas em urnas e funerárias em admoestação contra o que perturba. a falta da turba e a visualização do espectro de sombras e destroços que impeliam o corpo à inércia pede apenas que tudo seja dito relutantemente. é um incômodo por não acabar. sentar-se à varanda. sentir a companheira não querer sua presença e ansiar a sua presença e não poder falar porque nada pode ser dito nesses dias de vigília e de vidigal. tremores e arrepios se lançam elétricos sobre a pele e sob ela alquimias transacionam mais um semblante de vazio e de vaguidão por entre as horas. espero o nada e ele já se apresenta.

4161. convive 1